(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»»
"Só existe o tempo único.
Só existe o Deus único.
Só existe a promessa única,
e da sua chama
e das margens da página todos se incendeiam.
Só existe a página única,
o resto fica,
em cinzas. Só existem
o continente único, o mar único –
entrando pelas fendas, batendo, rebentando
correndo de lado a lado".
__________ Robert Duncan
"Um dos mais famosos escritores, poetas, cronistas e polemistas holandeses, que vivia em Portugal desde os anos 80, morreu ontem aos 68 anos.
Gerrit Komrij (1944-2012) deixou a Holanda em 1984 e mudou-se para Alvites (Trás-os-Montes) em Portugal. Em 1988 mudou-se de novo, desta vez para para Vila Pouca da Beira. A aldeia que começou por se escandalizar com a presença do escritor e do seu companheiro acabou por torná-lo um dos seus filhos dilectos. Da sua vasta obra apenas uma parte está editada em Portugal, na Assírio & Alvim.
Em 1993 recebeu o prémio P.C. Hooftprijs, o principal prémio literário dos Países Baixos, e no ano 2000 foi escolhido pelo público para ser o Poeta da Nação estatuto que é atribuído por um período de cinco anos.
Sobre os portugueses dizia "vivem numa espécie de fantasia permanente, não acreditam realmente em nada por isso não levam nada a sério".(DN Artes)
Foi por isso com imensa
tristeza que tomei conhecimento da morte do Gerrit, pois se não poderei afirmar ter
sido um AMIGO, convivi bastantes vezes com ele e, de certa forma, orgulho-me de
ele ter participado em 2004 nos Encontros Internacionais de Poetas de
Coimbra/U.C. depois de ter sugerido o seu nome.
E como referiu em forma de
lamento o tradutor Fernando Venâncio, que verteu para o português a poesia do
Gerrit (publicou alguns livros na Assírio e Alvim, incluindo uma antologia da
poesia Neerlandesa e um romance na ASA), "foram feitos esforços para
alertar o meio literário e cultural português para a presença de uma pessoa de
tanta relevância, mas o facto é que não houve um verdadeiro clique entre ele e
os meios culturais portugueses", lamentavelmente, digo eu.
Deixo aqui um belo poema do Gerrit (na foto de cima, estamos no
Museu do Chiado em Coimbra) e um excerto do comunicado de imprensa da editora
holandesa do Gerrit, traduzido por Fernando Venâncio e Arie Pos.[-"em nome da família, a editora neerlandesa De Bezige Bij informa que
Gerrit Komrij faleceu ontem à noite, em Amesterdão, após um curto período de
hospitalização. Com ele perdemos um importante poeta, um autor e tradutor
multifacetado, um grande estilista, um polemista mordaz e, sobretudo, um amigo
querido. Gerrit Komrij foi um inspirador para gerações de poetas, escritores e
jovens conquistadores dos céus, e continuará a sê-lo (...)"]. O funeral terá lugar no dia 19 de
Julho em Vila Pouca da Beira. Até um dia destes Gerrit. R.I.P./R.I.P./R.I.P.
Máscaras
O homem com a máscara brincando
Até chegar a hora em que o seu rosto
Partilhava com ela uma só vida: Já miúdo a história me punha indisposto.
Negava-me a aceitar. Quando crescesse, Ia mostrar que outra maneira havia: Que cada máscara, sem dor ou risco, Como um capuz tirar-se podia.
Fiz disso muito tempo um firme credo. Escondi, confiante, a minha natureza. Extinto o fulgor do jogo que eu fazia, Teria ela a original pureza.
Hoje sou velho, só para admitir: A história é real. A máscara agarrou-se´. É como habituares-te ao inferno. Como se olhar vazia cova fosse.
Faz hoje 75 anos que morreuFernandoAntónio NogueiraPessoa.Fernando Pessoa é sem dúvida um nome à parte na literatura portuguesa, sendo até talvez o único poeta a desafiar Camões (sim, porque Herberto Helder, que fez recentemente 80 anos, é para uma conversa, que hoje não tem aqui lugar). Fernando Pessoa, nasceu em 1888 e faleceu em 1935, em Lisboa, com 47 anos. Para não ser demasiado repetitivo, uma imagem e um texto, pouco usuais. .
AROSA DE SEDA
(Fábula)
Num fabulário ainda por encontrar será um dia lida esta fábula:
A uma bordadora dum país longínquo foi encomendado pela sua rainha que bordasse, sobre seda ou cetim, entre folhas, uma rosa branca. A bordadora, como era muito jovem, foi procurar por toda a parte aquela rosa branca perfeitíssima em cuja semelhança bordasse a sua. Mas sucedia que umas rosas eram menos belas do que lhe convinha, e que outras não eram brancas como deviam ser. Gastou dias sobre dias, chorosas horas, buscando a rosa que imitasse com seda, e, como nos países longínquos nunca deixa de haver pena de morte, ela sabia bem que, pelas leis dos contos como este, não podiam deixar de a matar se ela não bordasse a rosa branca.
Por fim, não tendo melhor remédio, bordou de memória a rosa que lhe haviam exigido. Depois de a bordar foi compará-la com as rosas brancas que existem realmente nas roseiras. Sucedeu que todas as rosas brancas se pareciam exactamente com a rosa que ela bordara, que cada uma delas era exactamente aquela.
Ela levou o trabalho ao palácio e é de supor que casasse com o príncipe.
No fabulário, onde vem, esta fábula não traz moralidade. Mesmo porque, na idade de ouro, as fábulas não tinham moralidade nenhuma. ......................................................Fernando Pessoa
De 27 a 29 de maio de 2010 ocorrerá na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e em outros pontos da cidade de Coimbra, o VII Encontro Internacional de Poetas. Os Encontros Internacionais de Poetas são organizados trienalmente pelo Grupo de Estudos Anglo-Americanos (GEA-A) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra desde 1992 e têm tido um papel ímpar para uma apreciação mais rigorosa da poesia, para uma contextualização mais vasta do fenômeno poético em Portugal, e muito particularmente para a divulgação e consolidação da poesia portuguesa a nível internacional.A edição de 2010 subordina-se ao tema “As Línguas da Poesia”. Pretende refletir sobre as mais diversas manifestações da poesia e os modos como ela diz o mundo, do puro canto à celebração, da proclamação ao silêncio, da intervenção à resistência, das continuidades às rupturas.A estrutura do evento tem por base leituras de poesia na língua original pelos poetas participantes, performances e sessões de caráter teórico sobre poesia. A partir da Universidade, os Encontros têm alargado substancialmente o público da poesia, na concretização do próprio conceito de Univer-cidade, que foi também desde o início um dos objetivos, do evento, com leituras e performances em espaços tão diferenciados da cidade e arredores como cafés e galerias, museus e o mercado municipal.Da programação dos Encontros consta a publicação de uma edição bilíngue dos poetas participantes, tendo sido publicados já cinco volumes de Poesia do Mundo (Edições Afrontamento e Palimage Editores). Desde 1992 até hoje, os Encontros ganharam uma reputação internacional enquanto acontecimento único em que línguas e tradições poéticas se encontram e dialogam.O impacto nacional e internacional do evento é facilmente atestado se levarmos em conta que, ao longo dos últimos 18 anos, os Encontros Internacionais de Poetas trouxeram a Portugal mais de duas centenas de poetas de países, línguas e culturas muito diversas, dos cinco continentes e, até esta data, de 41 países diferentes: dos Estados Unidos da América à Tailândia, de Angola à Nova Zelândia, passando pela Suécia, Canadá e Israel, Rússia, China e Palestina, podendo a lista completa do/as poetas presentes nas várias edições do evento ser consultada em ( http://www1.ci.uc.pt/poetas/pessoas/pessoas.htm ) A consolidação dos Encontros Internacionais de Poetas foi provada com a concretização, em 2007, do Programa de Residências para Artistas na aldeia histórica de Monsanto, programa que já trouxe a Portugal seis poetas de países diferentes desde então ( http://www1.ci.uc.pt/poetas/home.htm ). Para o VII Encontro Internacional de Poetas, em 2010, estão confirmadas as presenças de: Charles Bernstein, Próspero Saíz e Ntozake Shange (Estados Unidos), Marlene Nourbese Philip (Trinidad e Tobago/Canadá), Liana Sakelliou (Grécia), Amina Said (Tunísia/França), Ch´aska Eugeni Anka (Peru), Delmar Gonçalves (Moçambique), Uxue Alberdi e Miren Artetxe (Espanha/País Basco), Régis Bonvicino, Wilmar Silva, Dona Nice e Camila do Vale F. de Miranda (Brasil), Ana Blandiana (Romênia), Stephanos Stephanides (Chipre), Moya Cannon (República da Irlanda), Manuel Rui (Angola), Maria Teresa Horta, Helga Moreira e Pedro Sena-Lino (Portugal) e poetas da Oficina de Poesia da FLUC – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. - In, SIBILA ( http://www.sibila.com.br/ ).
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Para além de ir acompanhar os Encontros ao longo dos 3 dias, no dia 28 às 22hoo, efectuarei uma leitura, integrado na OFICINA de POESIA, na Escola de Hotelaria de Coimbra e no dia 29, pelas 12h00, no Teatro Paulo Quintela, F.L.U.C., efectuar-se-á o lançamento da antologia poética Poesia do Mundo 6, que reúne a poesia dos poetas que em 2007 integraram o VI Encontro Internacional de Poetas, e no qual tive o prazer de ser incluído.
Amanhã, 03 de Março de 2010, pelas 18h30 no TAGV (Teatro Académico de Gil Vicente), no âmbito da XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, serão lançados os nºs 13 e 14 da Revista OFICINA de POESIA.
Conjuntamente com os membros da Oficina de Poesia (onde me incluo), lerão os poetas Anna Reckin (Inglaterra) e John Mateer (África do Sul/Austrália). Estes poetas, encontram-se actualmente no programa Poetas em Residência da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (protocolo com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova).
Refira-se que ambos efectuarão uma nova leitura no próximo sábado na FNAC do Fórum Coimbra, pelas 16h00, integrados nos eventos mensais que a Oficina de Poesia efectua na FNAC/Coimbra.
Já agora, não esquecer no mesmo local pelas 17h00, o lançamento do novo livro do amigo valter hugo mãe, "A máquina de fazer espanhóis". Apareçam por lá, amanhã e sábado, serão momentos bem passados.
O INFANTE . Deus quere, o homem sonha, a obra nasce. Deus quiz que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo. Quem te sagrou creou-te portuguez. Do mar e nós em ti nos deu signal. Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! .................................Fernando Pessoa In, "Mensagem", 10/12/1934, Editora Parceria A. M. Pereira .
...............................Ivan Shishkin (A chuva na floresta, 1891)
Arseny Tarkovsky(n. 25/06/1907 – m. 27/05/1989 ). . Quando sob os pinheiros, e quando escrava, minha alma vestia um corpo torturado, ainda a terra voava célere para mim e as aves se desvairavam ao som rouco dos cavalos, . Agulhas negras, escamas dos pinheiros, as cascas e rubro sob os pés jorra o mirtilo, e meus furiosos dedos rasgam pálpebras, meu corpo quer viver. Será que este sou eu? . Serei eu de carbonizada boca procurandoos joelhos das raízes secas, e que a terra engole como outrora o sangue, e as irmãs de Faetonte se transfiguram, choram âmbar? .............................................Arseny Tarkovsky . Tradução:Nina Guerra e Filipe Guerra ..................................O Lago dos Cisnes-Tchaikovsky
Faz hoje 719 anos (em 1290) que faleceu Beatrice Portinari, musa de Dante Alighieri. Mal sonharia a dama que iria representar para sempre uma das mais cantadas formas de amor na voz de um dos mais extraordinários poetas de todos os tempos. Ela foi a própria simbologia do amor, de um amor cristalino e divinal e por isso Dante exaltou Beatrice de uma forma cortês, escrevendo não poder compará-la com outra mulher, e por isso chama-a de beatitude nobilíssima, fazendo referência a algo puro e nobre que não se pode comparar. Beatrice e esse amor aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante Alighieri. É sob o signo desse amor que Dante deixará a sua excepcional marca distintiva no Dolce Stil Nuovo e em toda a poesia lírica italiana, vindo a abrir caminho aos poetas e escritores que se lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido cantado e enfatizado tão profundamente.
..................Dante e Beatriz, Marie Spartali Stillman (1844-1927) [É TÃO GENTIL E TÃO HONESTO O AR] . É tão gentil e tão honesto o ar de minha Dama, quando alguém saúda, que toda boca vai ficando muda e os olhos não se afoitam de a fitar. . Ela assim vai sentindo-se louvar na piedosa humildade em que se escuda, qual fosse um anjo que dos céus se muda para uma prova dos milagres dar. . Tão afável se mostra a quem a mira que o olhar infunde ao coração dulçores que só não sente quem jamais olhou-a. . E quando fala, dos seus lábios voa Uma aura suave, trescalando amores, que dentro d'alma vai dizer: "Suspira!" ...........................DANTE ALIGHIERI (Tradução: Augusto de Campos)
Joseph Brodsky nasceu em 25 de Maio de 1940 em Leningrado - Rússia. Começou a publicar poesia em 1958, essencialmente em revistas clandestinas. Logicamente foi perseguido e preso na década de 60. Acabou condenado a um campo de trabalho no norte da Rússia. Mais tarde foi expulso da Rússia em 1972, passando a morar nos Estados Unidos onde se veio a naturalizar cidadão norte-americano. Aí, começou por traduzir a sua poesia para o inglês e a escrever essencialmente nessa língua. Em 1987, obteve o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em Nova York, em 1996, com 56 anos, sem nunca mais ter voltado ao seu país natal, onde a sua extraordinária obra só veio a ser publicada em grande escala, após a derrocada da União Soviética, em 1991. Actualmente encontra-se sepultado no cemitério da ilha de San Michelle, em Veneza, Itália, junto de outros dois russos ilustres, Diaghliev e Stravinsky.
Tendo sempre predominado na sua poesia uma "estética de vida", onde coexistem os assuntos do tempo (a voz do futuro) e do espaço (o eco da cidade), da dignidade e da política, da honra e do orgulho, do amor e da morte. As metáforas em Brodsky, como refere Carlos Leite, seu tradutor para o português, "geralmente não são precisas em termos visuais, mas improváveis, exageradas, implausíveis mesmo. Decorrem mais da persistência do pensamento, da dificuldade de pensar, do que do simples olhar, fotográfico ou contemplativo.” É sem dúvida um dos grandes poetas da segunda metade do século XX, que continua a merecer ser redescoberto.
M.B. Querida, hoje saí de casa já muito ao fim da tarde para respirar o ar fresco que vinha do oceano. O sol fundia-se como um leque vermelho no teatro e uma nuvem erguia a cauda enorme como um piano. . Há um quarto de século adoravas tâmaras e carne no braseiro, tentavas o canto, fazias desenhos num bloco-notas, divertias-te comigo, mas depois encontraste um engenheiro~ e, a julgar pelas cartas, tomaste-te aflitivamente idiota. . Ultimamente têm-te visto em igrejas da capital e da província, em missas de defuntos pelos nossos comuns amigos; agora não param (as missas). E alegra-me que no mundo existam ainda distâncias mais inconcebíveis que a que nos separa. . Não me interpretes mal: a tua voz, o teu corpo, o teu nome já não mexem com nada cá dentro. Não que alguém os destruísse, só que um homem, para esquecer uma vida, precisa pelo menos de viver outra ainda. E eu há muito que gastei tudo isso. . Tu tiveste sorte: onde estarias para sempre – salvo talvez numa fotografia - de sorriso trocista, sem uma ruga, jovem, alegre? Pois o tempo, ao dar de caras com a memória, reconhece a invalidez dos seus direitos. Fumo no escuro e respiro as algas podres. ..........................................................Joseph Brodsky In "Paisagem com Inundação”, traduzido do russo por Carlos Leite
O grupo de teatro de Coimbra, A Escola da Noite, acolhe na próxima quinta-feira, dia 14 de Maio, pelas 18h00, a apresentação do livro de poesia Terra e Sangue, de Miriam Reyes, editado pela Cosmorama. Miriam Reyes nasceu em Ourense (Espanha), em 1974. Publicou “Espejo negro” (2001), “Bella durmiente” (2004) e “Desalojos” (2008). A sua poesia está traduzida para italiano e português. O livro agora editado reúne os dois primeiros títulos, com traduções de Jorge Melícias e Pedro Sena-Lino, respectivamente. A sessão contará com a presença da autora e de Fernando de Castro Branco, que fará a apresentação do livro.
Miriam Reyes, intima, na sua escrita poética, uma densidade carnal, física, orgânica, com uma crueza, por vezes quase no limite da barbaridade, por vezes profundamente nos limites da ironia, da raiva, do íntimo despojamento. É uma poesia que dói e faz doer, é uma poesia de fêmea, mas não no sentido femininista, é essencialmente, no sentido animalesco de mulher em todo o seu esplendor. Poesia sem dúvida que merece profunda atenção. Do seu livro "Espelho negro", com tradução do poeta Jorge Melícias, o poema 6:
6. Amo este homem misógino. Desejo o seu sexo descarado que passeia de cá para lá que entra onde como e quando deseja vomita seu ódio em mim e parte. Eu, maravilhosa artesã, faço do seu asco a minha melhor criação: uma réplica sua melhorada. Do vómito incubado no mais repugnante dos seres nascerá a criatura que o iguale em força e seja capaz de o destruir por inveja como eu não pude por amor. .................................Miriam Reyes
Eu, com Seamus Heaney, no Palácio de S. Marcos, após um "grandioso repasto" - 2004
O prémio Nobel de 1995, o irlandês Seamus Heaney acaba de receber o prémio David Cohen, atribuído de dois em dois anos a grandes nomes da literatura, como V.S. Naipaul (1993), Harold Pinter (1995) ou Doris Lessing (2001). Poeta presente em Coimbra, como figura principal dos V Encontros Internacionais de Poetas (2004), organizados de três em três anos pelo Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi sem dúvida um dos mais "simples, gentis e disponíveis" dos poetas presentes, não parecendo a ninguém estarmos em presença de um Nobel da Literatura. Daí, ficar muito satisfeito por mais este importante prémio que lhe foi atribuído. Seamus Heaney é um poeta grandioso e magestoso como as sublimes planícies de seu país, é contado e cantador da área rural, dos dias nebulosos, da nostalgia familiar, dos antepessados, da visão arqueológica da própria Irlanda em sua magia, com muitas histórias, épicas ou não, para contar. Aliás, muitos de seus poemas são narrativos - alguns curtos, como A Musa Gutural; outros, mais longos, como a Ilha das Estações. Em baixo dois poemas:
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"O Fragmento"
"Veio a luz do oriente", cantava ele, "radiosa garantia de Deus, e as ondas aquietaram-se. Eu podia ver línguas de terra e rochedos acossados. Muitas vezes, pela coragem mostrada, o fado poupa o homem se não o marcou já."
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. E quando a objecção deles lhe foi dita - em especial que a sua obra se fizera em fragmentos, que já não podiam dizer onde estavam com ele, que já não distinguiam primeira linha ou última linha - respondeu com uma questão. "Desde quando", perguntou, a primeira e a última linha de qualquer poema são onde o poema principia e termina?"
José Afonso: Aveiro, 2/08/1929 — Setúbal, 23/02/1987 Que amor não me engana . Que amor não me engana Com a sua brandura Se de antiga chama Mal vive a amargura . Duma mancha negra Duma pedra fria Que amor não se entrega Na noite vazia . E as vozes embarcam Num silêncio aflito Quanto mais se apartam Mais se ouve o seu grito . Muito à flor das águas Noite marinheira Vem devagarinho Para a minha beira . Em novas coutadas Junto de uma hera Nascem flores vermelhas Pela Primavera . Assim tu souberas Irmã cotovia Dizer-me se esperas O nascer do dia José Afonso
Foi editada recentemente a antologia "Os dias do Amor - Um poema para cada dia do ano", 365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares. A recolha, selecção e organização foi efectuada pela Inês Ramos e inclui prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho. A obra conta com nomes variados, portugueses e estrangeiros, poetas com obra e nome já "feito" e também com poetas menos reconhecidos, ou menos visíveis, mas que no seu conjunto contribuem para um belo livro de poesia. A antologia conta com nomes como, António Ramos Rosa (Portugal), Affonso Romano de Sant'Anna (Brasil), Luís de Camões (Portugal), Almeida Garrett (Portugal), Al-Mu’tamid (Alandalus), Bocage (Portugal), D. Dinis (Portugal), Daniel Faria (Portugal), Dante Alighieri (Florença), Emily Dickinson (EUA), Fiama Hasse Pais Brandão (Portugal), Nuno Júdice (Portugal), Gabriela Rocha Martins (Portugal), etc. E é da Gabriela R. Martins o poema que se segue e incluido na antologia, até porque sem falso pudor, me sinto bastante lisonjeado por o poema me ser dedicado.
-O Caçador.Cativo ............................ao João Rasteiro
.
haviam.se em vão procurado nas cidades
.
percorrera continentes
quando desistira
encontrara.se solto no ritmo lento
de uma valsa
dançada em contra.mão
.
desintegrado
.
sentira as ondulações das cearas
que cearara em dança lenta
regressara estranho às recordações de antanho
antanho era a linguagem de seus avós
.
havia crescido junto à terra gretada
pela fome das manhãs abertas
desde cedo havia sentido a boca
apagada de desejo de terra pão
fustigada pelo vento
.
havia pulado a cerca
construída sobre os dias
como as copas das árvores que
costumava ouvir à noite entregue
aos seus passos de caçador furtivo
fora numa dessas deambulações que a encontrara
solta
aproximou.se
ela a medo levantou as asas
no voo ferido
.
soltou os cães
ficou suspenso à dança do animal
em voo
primeiro raso
depois mais alto
arribando em direcção ao mundo
em tons de mel
engrossou o batimento das asas
ao som da pressa
do homem / caçador / cativo
daquele voar
enquanto filados
os cães esperavam a voz de comando
.
ele muito aquém da aventura
seguia.lhe o volteio
o silêncio da terra era o elo que os unia
.
ele o caçador cativo
ela solta à migração
.
o desejo deixava.os sob um manto de horas
semeadas a esmo
que estranho aquele olhar que
se projectava na mira do caçador
tornando.a vulnerável ao cúmplice
jogo do agarra e foge
ele o enfabulador
regressava caçador
ela de asas fechadas
pronta a deixar.se prender
olhou.o
ele viu.se
projectado no olhar em flash . uma ave / dona.
Gabriela Rocha Martins .............................."Dancemos no Mundo" -Sérgio Godinho
Já foi tornada pública a lista dos 12 livros finalistas, candidatos ao Prémio Literário Casino da Póvoa do Correntes d’Escritas. O evento vai decorrer entre os dias 11 e 14 de Fevereiro de 2009. A eleição do poeta dos poetas relativo à presente edição está quase a chegar e sairá das seguintes obras:
. • Gastão Cruz, A Moeda do Tempo, Assírio e Alvim • Nuno Júdice, As Coisas Mais Simples, Dom Quixote • José Agostinho Baptista, Filho Pródigo, Assírio e Alvim • Maria Teresa Horta, Inquietude, Quasi • Jorge Gomes Miranda, O Acidente, Assírio e Alvim • Armando Silva Carvalho, O Amante Japonês, Assírio e Alvim • José Rui Teixeira, Oráculo, Quasi • António Cícero, A Cidade dos Livros, Quasi • Eucanaã Ferraz, Rua do Mundo, Quasi • Eduardo White, Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva, Campo das Letras • Antonio Gamoneda, Descrição da Mentira, Quasi • A.M. Pires Cabral, As Têmporas da Cinza, Cotovia
Um pequeno trecho da obra finalista, "Oráculo" de José Rui Teixeira: . Quando eu era criança anoitecia sobre a verdade intrínseca de haver ruas pequenas e horizontes pequenos no fundo das ruas. Os velhos sentavam-se na soleira da porta nas noites de verão e as raparigas sangravam demoradamente o calor para dentro dos pulmões e cresciam-lhes os seios, e fechavam-se em casa. Quando eu era criança a minha mãe pousava na superfície do outono como um anjo ferido. .................................A Naifa-Desfolhada
Recostado na sua cadeira, uma cadeira larga e quebrada E polvilhada com cinzas, O papá passa os canais, toma outro Cálice de Seagrams, simples, e pergunta O que fazer comigo, um rapaz novo e verde Que nem considera a Falta de sentido do mundo, desde Que as coisas se me tornaram fáceis. Fixo os olhos na sua cara, um olhar Que lhe afasta a testa; Estou certo que ele não tem consciência dos seus Negros olhos de água, estes que Balançam em diferentes direcções, E dos seus lentos e indesejados espasmos Que demoram a desaparecer. Oiço, aceno abertamente até tocar na sua pálida, Camisola bege, gritando, Gritando nos seus ouvidos, pendurados Com lóbulos pesados; mas ele está a contar A sua piada, e então pergunto-lhe por que Parece tão infeliz, ao que me responde…. Mas eu não quero mais a porcaria da resposta, porque Passou todo o tempo, e por baixo da Minha cadeira eu tiro o espelho que guardei; Eu rio-me, rio-me à gargalhada, o sangue escorre Da sua cara até à minha, e cresce Um pequeno lugar no meu cérebro, algo Que deverá ser extirpado, como se fosse um Caroço de melancia, com os Dois dedos. O papá toma outro cálice, simples, Repara na pequena mancha de âmbar Nos seus calções, igual à que eu tenho nos meus, e Faz-me cheirar do seu cheiro, e este vem Apenas de mim; ele passa os canais, recita um poema antigo Que escreveu antes de a sua mãe falecer, Levanta-se, grita, e pede Um abraço, assim que eu encolho, com os meus Braços mal conseguindo dar a volta ao seu grosso e oleoso pescoço, e às suas costas largas; porque Eu vejo a minha cara emoldurada na Armação preta dos óculos do papá, E descubro que ele também se ri. Barack Obama-(publicado no jornal "Feast"). .................Bob Dylan - The Times They Are A-Changin
Fernando Pessoa (Lisboa, 13/06 de 1888 — Lisboa, 30/11 de 1935).
É considerado por grande parte da crítica literária, um dos maiores poetas de língua portuguesa, e até mundial. O seu valor é comparado ao de Luís de Camões. O crítico literário norte-americano Harold Bloom, no seu livro The Western Canon -"O Cânone Ocidental"), considerou-o, ao lado do chileno Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX.
Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida. Como ele próprio referiu, a sua biografia deveria ser:
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha/
biografia,/ Não há nada mais simples./ Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte./ Entre uma e outra todos os dias são meus./ In, Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos
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Em sua homenagem, baseado na leitura do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares:
Poema do desassossego
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I .nasci - folha esdrúxula ..........na crença em deus.........subproduto ..........na respiração da ciência.......poética .....................................a carnívora gentileza ................................perdida por que sente o desassossego volvido a crença nas montanhas que florescem .................hálitos de formas ...........................................a humanidade na margem dos grandes espaços virgens que vão leste-oeste – e é eterna a sílaba que se embriaga ..............em todos os jardins do paraíso ..............a cólera minuciosa de todas as chamas ..............e ele é de víboras esverdeadas ................................submissas em torno do vulto uno ...................................................................túrgido e ferveroso ..........não aceitei deus..........improvável ................................................ponto final ................................................uma mera ideia biológica ...........a opressão que se entranha no fundo do coração . II na época dos bárbaros ........................corpos de barro sagrado ...................os lugares culpados da existência da divindade .....................................a faculdade de ainda sonhar o júbilo dos pulmões que refulgem desumanos ....................................que brotam o adorno da flor ............................................................de se olhar a aurora .........................................é precisamente o interstício lúcido ............................................................a alegria do sol escarlate ........................................a criança cantarolando por muitas crianças . III e existir é ser monstruosamente inconsciente ..........................de matéria em matéria ...................em sua própria verdade ...................as duas dimensões do espaço: ......................................................................apenas… João Rasteiro
...............Caetano Veloso - Os Argonautas (F. Pessoa)
(…) Só duas experiências tornam os seres humanos capazes de participar na verdade-ficção, na metáfora pragmática de eternidade, da libertação dos decretos de dissolução do tempo biológico e histórico, ou por outras palavras, da morte. O primeiro caminho é o das crenças religiosas autênticas para os que a elas se encontram abertos. O outro é a via estética. São a produção e a recepção de obras de arte, no sentido mais amplo, que nos permitem participar na experiência da duração, do tempo libertado. Sem a arte, a psique humana teria de enfrentar na nudez a extinção pessoal, dando lugar a uma lógica de loucura e de desespero. É a poeisis (a par, uma vez mais, da transcendência da fé religiosa, e muitas vezes de algum modo em ligação com ela) que autoriza a desrazão da esperança. Neste sentido de um alcance imenso, as artes são mais indispensáveis aos homens e às mulheres que o melhor da ciência e da tecnologia (são inumeráveis as sociedades que longamente perduraram sem elas). A criação nas artes e na actividade filosófica é, no que se refere à sobrevivência da consciência, de uma ordem diferente da da invenção nas ciências. Somos animais cujo sopro vital é a dos sopros contados, pintados, esculpidos ou cantados. Não há, não pode haver, nesta terra uma comunidade, por mais rudimentar que sejam os seus meios materiais, sem música, sem uma outra espécie de arte gráfica, sem essas narrativas da recordação imaginada a que chamamos mito e poesia. Há, de facto, verdade na equação e no axioma; mas é uma verdade menor. Estará, porém, a verdade maior das artes segura na maneira como a conhecemos e vivemos até hoje? Terá a poeisis o seu futuro clássico? In, George Steiner – “Gramáticas da Criação” (pg. 287, 288), Relógio D`Água Editores
André Breton(Tinchebray, 19/2/1893 - Paris, 28/9/1966), foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo. Vive a aventura do surrealismo como uma profunda experiência existencial. Em Valéry descobre o poder subversivo da inteligência pura. Por volta de 1920 adere ao grupo Dadá, mas logo de seguida se opõe a Tzara. Descobre o automatismo como meio de renovar e inovar a arte e lê com desmesurada paixão Rimbaud e Lautréamont. Em 1924 lança o Manifesto do Surrealismo, um marco e uma profunda revolução, na forma de olhar a arte em geral
Animado por uma imensa e ardente vontade de acção, a sua rebeldia inata leva-o a posturas revolucionárias. Publica as revistas La Révolution Surrealiste e Le Surréalisme au Service de la Révolution. Mas como o surrealismo não pode submeter-se de todo, as suas relações com a política e o Partido Comunista em especial, são sempre delicadas.
O encontro amoroso com Najda e a experiência vivida com esta jovem mulher inspiram-lhe a escrita de Nadja, que é a única obra verdadeiramente grande de Breton. Peça interessante e característica do surrealismo é também O Amor Louco.
(THE TRIUMPH OF ANDRE BRETON and SURREALISM by SHAHLA ROSA) Um homem e uma mulher absolutamente brancos
Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado Esse papel que não se pode ver sem que o coração se nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição Ou uma concha de mármore branco caída no caminho Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos O grande instinto da combustão conquista as ruas onde elas caminham Direitas como flores queimadas Com os olhos na distância levantando um vento de pedra Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado A frescura do regato onde os sapatinhos delas banham a sombra dos seus bicos A realidade daqueles molhos de feno cortado onde desaparecem Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda E que se abaixam e se elevam a um ritmo que é a única exacta medida da vida Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas Seios onde chove para sempre o invisível leite azul. In,(tradução de Antônio Ramos Rosa)
Foi em 2003 que me foi atribuída pela Accademia Internazionale IL CONVIVIO aSegnalazione di Merito, na área de poesia, no Concurso do Premio Internazionale Il Convivio "Publio Virgilio Marone". Este prémio que foi entregue na Sala do Cenáculo, da Câmara dos Deputados do Parlamento Italiano, será, logicamente, algo que ficará para sempre na minha memória.
Públio Virgílio Marão(em latim Publius Vergilius Maro), às vezes chamado de Virgílio, (Andes, 15 de Outubro de 70 a.C. - Brindisi, 21 de Setembro de 19 a. C..
Foi precisamente há 2078 anos (se as contas tradicionais não estiverem erradas) que nasceu um dos grandes poetas e pensadores da Antiguidade, aquele que Paul Claudel, fascinado pela obra e pela figura do poeta, apelidou de o maior génio produzido pela humanidade e que mais do que um poeta, um profeta de Roma, um "vate", um poeta-profeta. Virgílio foi o cantor da tradição, criadora e conservadora da grandeza de Roma. Fez em verso aquilo que Tito Lívio (Pádua, 59 a.C. - ib. 17 d.C.), com o seu Ab Vrbe Condita, tinha feito em prosa.Considerado o maior poeta latino, a sua obra mais famosa, provavelmente uma das obras eternas da literatura e da linguagem, é a Eneida.A obra de Virgílio compreende, além de poemas menores, compostos na força da juventude, as Bucólicas ou Éclogas, em número de dez, em que reflecte nitidamente a influência do género pastoril criado por Teócrito. Literariamente, as Geórgicas são consideradas a sua obra mais perfeita. E finalmente, a Eneida, que o poeta considerou inacabada, a ponto de pedir, no leito de morte, que fosse queimada, e que constitui a epopeia nacional de um povo e de um território. Epopeia erudita, a Eneida tinha como objectivo proporcionar aos romanos uma ascendência não-grega, formulando a cultura latina como original e não tributária da cultura helénica. A sua estrutura serviu de modelo definitivo às grandes epopéias do renascimento, nomeadamente para Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.
O poema que se segue é uma poesia muito ao gosto dos alexandrinistas, é uma poesia cheia de fina ironia.
Ide-vos daqui, ide, ocos empolamentos de retórica palavras inchadas com estalhadarço não ático E vós, o Célio, ó Tarquício, ó Varrão Corja de pedantes a pingar de gordura Ide-vos daqui, címbalo louco da minha juventude. E tu, ó Sexto Sabino, cuidado dos meus cuidados fica bem: ficai bem meus caros Nós levantamos ferro em direcção aos pontos prósperos Procurando doutas doutrinas do grande Sirão E libertaremos a vida de todos os cuidados. Ide-vos daqui, Musa; apre! Vós também ide já Doces Musas (confessaremos a verdade, fostes doces): e contudo no futuro visitai de novo os meus escritos, mas discretamente e poucas vezes. (*)- Poema retirado do Blog:Humanae Litterae
Charles-Pierre Baudelaire: (Paris, 9/04/1821 — Paris, 31/08/1867) foi um poeta, crítico e teórico da arte francesa. É considerado um dos grandes precursores do Simbolismo, embora também se tenha relacionado com diversas escolas artísticas. A sua obra teórica veio a influenciar profundamente as artes plásticas do século XIX.
Baudelaire é no entanto considerado sem qualquer dúvida um dos maiores poetas do Século XIX. Do seu estilo de vida "originaram-se" na França os chamados poetas "malditos"
Um revolucionário em seu próprio tempo. Hoje ele ainda é conhecido, não somente como poeta, mas também como crítico literário. Raramente houve alguém tão radical e ao mesmo tempo tão brilhante, apesar da aparente contradição que emana da sua poesia.
Em 1857 é lançado o livro "As flores do mal" contendo 100 poemas. O livro foi acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública da sociedade francesa. Os exemplares são apreendidos e o poeta teve de pagar 300 francos de multa.
Afirmou que "Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória" e ainda, "Como foi a imaginação que criou o mundo, ela o governa."
EMBRIAGUEM-SE É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. . Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se. . E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. . Flores del Mal
Pablo Neruda- (Parral, 12 de Julho de 1904—Santiago, 23 de Setembro de 1973) foi um poeta chileno premiado com o Nobel de Literatura de 1971 e um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Tinha obrigatoriamente como lema de vida: "A verdade é que não há verdade".
Uma leitura . entre as orquídeas e o trigo que preferência confere . a uma só flor tanto luxo e ao trigo (cal) ouro sujo? . se é doce a água dos rios de onde tira sal o mar? . e não naufraga o navio vogando em vogais demais? . quem fornece nomes-numes ao inocente inumerável? . a intradução dos idiomas conciliará pari pássaros? . é possível florescer sobre um deserto de sal? . quando já se foram os n(ossos quem vive no pó final? . terei meus cheiros-o-dores quando dormir destru... ido? . quem era (hera?) te amando que o sonho encampa dormindo? . será uma estrela-in-visível (talvez?) o céu dos suicidas? . e por que o céu-in-vestidos se encerra com suas neblinas? . como se chama a tristeza numa ovelha sol-it-ária? . moscas fabricando mel ofenderiam as abelhas? . há espaço para uns espinhos? (alguém pergunta à roseira) . por que é tão dura a doçura do coração das cerejas? Pablo Neruda .