O Surrealismo Português no olhar de Fernando Lemos:
"Não me sinto um fotógrafo. Sou um derivado das artes plásticas e da poesia, afirma Fernando Lemos".
.jpg)
(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»» "Só existe o tempo único. Só existe o Deus único. Só existe a promessa única, e da sua chama e das margens da página todos se incendeiam. Só existe a página única, o resto fica, em cinzas. Só existem o continente único, o mar único – entrando pelas fendas, batendo, rebentando correndo de lado a lado". __________ Robert Duncan
.jpg)
A Teoria das Cores
Vírgula.jpg)
Algum dia o teu corpo alastrará
DIA DE NATAL
POEMA DE NATAL .jpg)
.jpg)
A revisitação dos lúzios .jpg)
Pedro Tamen venceu o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava para livros publicados em 2006. Este prémio foi atribuído por unanimidade a Pedro Tamen, por «Analogia e Dedos», da Oceanos, chancela da ASA.O júri foi constituído por Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Paulo Teixeira.
de "Visitação"
A editora COSMORAMA acaba de editar o excelente livro Cabeças de Pedro Marqués de Armas, com tradução do poeta Jorge Melícias. Pedro Marqués de Armas [Havana, 1965]. Poeta e ensaísta. Publicou os livros de poesia Fondo de ojo [1988], Los altos manicomios [1993] e Cabezas [2001] e o ensaio Fascículos sobre José Lezama Lima [1994]. Foi redactor da revista alternativa Diásporas, publicada em Cuba entre 1997 e 2003. Poemas e ensaios seus saíram no Diario de Poesía, Crítica, Tsé-tsé, Encuentro de la Cultura Cubana, Lichtungen ou Oficina de Poesia. Entre 2005 e 2007 residiu em Coimbra, ao abrigo do projecto Rede Internacional de Cidades Refúgio. Actualmente reside em Barcelona onde é médico psiquiatra. Não sei se é exagero, mas o poeta brasileiro Régis Bonvicino afirmou recentemente, ser Pedro Marqués de Armas, não só um belíssimo poeta, mas estar entre os melhores poetas jovens da actual poesia mundial.
Do livro Cabeças (Cabezas, vencedor do prémio UNEAC de Poesia 2001, em Cuba) o poema:
Na margem interior da fronteira, que outros preferem chamar beco sem saída, - B. matou-se.
Claro que todas as fronteiras são mentais, e no caso de B. melhor seria falar de duas.
De modo que B. se matou entre a margem interior e a crista de um pensamento que já não se desviava dele.
Para capultar-se, tomou aquelas raízes de um alcalóide que tinha classificado, e, lançando-se sobre a enxerga de troços fusiformes, encontrou por fim o que buscava: rua de uma só direcção em que todos os números estão apagados, e os brancos pedúnculos mentais desvanecem-se numa matéria de sonho.
Pedro Marqués de Armas
(Tradução de Jorge Melícias)
Poderias deter as tuas garras
Epístola para Dédalo
Rita Dahl vai estar no dia 13 de Dezembro em Coimbra, no TAGV - Teatro Académico de Gil Vicente pelas 18h00, onde falará da sua relação com Portugal, bem como lerá os seus poemas, nomeadamente os poemas sobre Portugal.
Poema
Dezembro
O poeta argentino Juan Gelman foi o galardoado com o Prémio Cervantes 2007, o mais importante prémio literário concedido a autores de língua espanhola, em reconhecimento do conjunto da sua obra (no ano passado, o galardoado foi Antonio Gamoneda). O prémio, no valor de 90.450 euros é atribuído pelo ministério da Cultura espanhol. Juan Gelman, de 77 anos, já recebeu o Prémio Nacional de poesia, na Argentina, o Prémio de Literatura Latino-Americana e do Caribe Juan Rulfo, o Prémio Ibero-Americano de Poesia Pablo Neruda e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americano. Autor de mais de 20 livros desde 1956, quando se estreou com "Violín y otras cuestiones" (violino e outras questões), o escritor concentrou-se primordialmente nos temas do amor, da morte e da dor. A sua poesia foi fortemente marcada pela perseguição que sofreu na ditadura argentina (1976-83). Ameaçado pela Aliança Anticomunista, exilou-se na Itália em 1975. No ano seguinte, o filho e a nora foram seqüestrados pelo regime; ele foi morto e ela desapareceu. Mais de 20 anos depois, Gelman veio a descobriu uma neta no Uruguai. As obras do poeta argentino incluem "Bajo la Lluvia Allena" (debaixo da chuva alheia) e "Amor que Serena Termina.
Texto 1 A nodosidade sónica da cidade limítrofe é flanqueada geograficamente
pela salsa-dos-pântanos
onde a mecânica das especiarias liberta as acrobacias do fogo de artificio
sobre os cronómetros das
crises alérgicas
Os cineastas fundadores das espreguiçadeiras de
néons isolam as bandeiras das povoações
nos bastidores mediterrânicos das colheitas
onde as escaladas da coreógrafa coleccionam as dramaturgias das
chuvas que electrificam a basculante da claridade
Os mosaicos-anémonas dos hóspedes desintegram-se nas
sonoridades das máscaras equatoriais
parecem canais de irrigação aos solavancos
entre os
adereços indígenas que radiografam os sismógrafos das fertilizações das comédias
A desdobragem óptica da cronologia estilhaça a quadrícula dos miradouros
e os comboios gráficos computorizam os atlas dos antologiadores
como se encadeassem
copiosamente as colisões do circo botânico
onde os báculos hidromecânicos aperfeiçoam
o borrifo ignescente do mineral
angulómetro sobre as oficinas das homenagens das trompetas
que urdem as ataduras do sul do amendoal dos
pulmões
As fitas dos vídeos arqueiam na marginalidade cerâmica dos emissários
e o resgatamento cartográfico do fotojornalista é liminarmente entoado
entre as papoilas dos
tenores
onde as teclas equestres das partituras julgam
as gralhas das montanhas russas
que as malas das alegorias colonizaram
sobre a nidificação dos ícones do elenco das
paleontólogas.
Luís Serguilha
http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/portugal/luis_serguilha.html