Por vezes os acontecimentos, quase que ultrapassam todas as nossas expectativas ou projectos. Vem isto a propósito, da edição de 3 livros meus no espaço de alguns meses. Prestes a sair da tipografia e com lançamento previsto para Janeiro (chegou a estar previsto o seu lançamento em Dezembro), o livro DIACRÍTICO, publicado pela Editora Labirinto, com prefácio do poeta Albano Martins.
Já no próximo dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, na Guarda, mais concretamente, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, o livro A DIVINA PESTILÊNCIA, publicado pela editora Assírio & Alvim, e resultante da atribuição do Prémio Literário Manuel António Pina, verá a luz do dia (em Abril e Maio, 2 ou 3 lançamentos deverão acontecer).
Para culminar esta torrente (e não prevista) de livros lançados para o reduzido, mas complexo, espaço da poesia portuguesa, no segundo semestre de 2011, o livro O TRÍPTICO da SÚPLICA, deverá ser publicado (neste momento e após a assinatura do contrato de edição, já só falta a validação da DGLB - Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas) pela Escrituras Editora, de São Paulo, que já há algum tempo, na sua colecção "Ponte Velha", vem publicando autores portugueses (só para citar alguns, Rosa Alice Branco, Ana Hatherly, António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, Pedro Tamen, Luisa Neto Jorge, Fernando Aguiar, etc. De referir a última publicação, "a Obra ao Rubro" da minha amiga Maria Estela Guedes, sobre Herberto Helder
Assim, e como já referi, os próximos meses, por "brincadeiras" do destino, serão de alguma forma intensos, mas, naturalmente, bastante motivadores e reconfortantes, pois, independentemente (e isso é quase sempre relativo - e daria uma grande "conversa") da qualidade, pouca qualidade ou nenhuma qualidade, há imensa gente, na poesia, ficção, ensaio, etc, que passa, por gosto e/ou dedicação, por vezes uma vida, a escrever, sem qualquer reconhecimento ou hipótese de publicar um único livro.
Em homenagem a esse imenso número de vozes "silenciosas", o poema "Traduzir-se" de Ferreira Gullar (o merecidíssimo Prémio Camões 2010):
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Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
| ...........................De Na Vertigem do Dia . |




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