(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»»
"Só existe o tempo único.
Só existe o Deus único.
Só existe a promessa única,
e da sua chama
e das margens da página todos se incendeiam.
Só existe a página única,
o resto fica,
em cinzas. Só existem
o continente único, o mar único –
entrando pelas fendas, batendo, rebentando
correndo de lado a lado".
__________ Robert Duncan
Do “poeta” Domingos Cenáculo Vilela[meu avô - e que, lá muito no infinito sopro da sílaba, será, talvez, o grande culpado por este meu "actual sofrimento", mas que simultaneamente, é o alimento ou hálito que me alimenta e, refiro-me evidentemente a esse mistério que é apelidado de Poesia], o poema, ou canto, "Olhares":
A linguagem é a sagrada prisão dos loucos que amam as paisagens que regressam pelo ventre fechado. Aí se respira as veias que acasalam os metais. Aquilo que estrangula da pedra ao aço é o espaço infundido. Uma crença no enraizado da cabeça.
8.
Em sua radiosa invisibilidade deuses decidem o fogo que sustenta a dobra da harmonia do mundo. Deliberam quais os corpos que servirão de mosto à renovação da terra. E o mundo rejuvenescerá puro nas leis que ateiam os animais nas estações do metal. E a equidade concebe-se contra a memória e o corpo. Trespassará toda a impureza.
9.
Este é o lugar da blasfémia. Aqui a geometria é um espaço que condiciona as falas que enxugaram as frechas do archote. E os cânticos são terríficos para os seres pasmados de fábulas. Este é o sítio onde a perspicuidade das estruturas é um ínfimo apólogo. João Rasteiro
Precisamente no dia em que me dirijo para esse inapelável apelo do mar, esse mar onde durante alguns dias irei buscar todas as forças revitalizadoras para encarar mais um ano que se avizinha do mais complicado e desgastante que há memória, é lançado em São Paulo, organizado pelo poeta [e meu grande amigo] Álvaro Alves de Faria, um pequeno livro, inserido numa colecção que Álvaro vem dirigindo nas Edições RG, intitulado, "Três Poetas Portugueses" [Cristina Néry, Rita Grácio, João Rasteiro]. Enquanto aguardo o lançamento, provavelmente só lá para Outubro, do meu livro, "Tríptico da Súplica", na Editora Escrituras - São Paulo, é com alegria que integro este livro tão carinhosamente elaborado pelo Álvaro, com a ajuda do artista plástico Valdir Rocha.
A apresentação dos dois livros será dirigida pela escritora e jornalista Patrícia Cicarelli. Haverá uma leitura de poemas de Celso de Alencar, Eunice Arruda, Ronaldo Cagiano, Beth Brait, Oswaldo Rodrigues e pelo próprio Álvaro Alves de Faria.
Tal lançamento, insere-se no lançamento do último livro do Álvaro [já publicado em Portugal], "Cartas de Abril para Júlia"
O lançamento dos dois livros ocorre hoje pelas 15h00 em São Paulo, na Avenida Nove de Julho, 3.653, no Lugar Pantemporâneo, do artista plástico, escultor, desenhista, gravador, etc, Valdir Rocha. Os que puderem aparecer serão naturalmente recebidos com bastante prazer e alegria. .Ah, para todos: BOAS FÉRIAS!
DespedidaUma harpa envelhece. Nada se ouve ao longo dos canais e os remadores sonham junto às estátuas de treva. A tua sombra está atrás da minha sombra e dança. Tocas-me de tão longe, sobre a falésia, e não sei se foi amor. Certo rumor de cálices, uma súplica ao dealbar das ruínas, tudo se perdeu no solitário campo dos céus. Uma estrela caía. Esse fogo consumido queima ainda a lembrança do sul, a sua extrema dor anoitecida. Não vens jamais. O teu rosto é a relva mutilada dos passos em que me entristeço, a absoluta condenação. Chove quando penso que um dia as tuas rosas floriam no centro desta cidade. Não quis, à volta dos lábios, a profanação do jasmim, as tuas folhas de outubro. Ocultarei, na agonia das casas, uma pena que esvoaça, a nudez de quem sangra à vista das catedrais. O meu peito abriga as tuas sementes, e morre. Esta música é quase o vento. José Agostinho Baptista(in “Paixão e Cinzas”)
O Núcleo de Animação Cultural da Câmara Municipal da Guarda acaba de editar o nº 29 da Revista "PRAÇA VELHA - Revista Cultural da Cidade da Guarda. O presente número da revista, com 450 páginas, possui um diversificado conjunto de matérias, passando pela cultura da região, praxes e histórias académicas, património, entrevista ao Procurador Geral da República, contos, recensões críticas, súmula das actividades culturais do Município, etc, e, também, o meu discurso de agradecimento (Pág(s) 297-300] no dia 21 de Março de 2011 [Dia Mundial da Poesia] na Guarda, na Biblioteca Eduardo Lourenço, Sala Tempo e Poesia, na sessão Solene de Entrega do "Prémio Literário Manuel António Pina" ao meu livro "A Divina Pestilência" e que tive a honra de receber, para mais, das mãos do próprio Manuel António Pina.
Segue-se parte desse discurso, que pode ser lido na íntegra no link indicado:
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"Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal da Guarda
Poeta Manuel António Pina
Membros do júri
Poetas presentes
Minhas Senhoras e meus Senhores
Em primeiro lugar e acima de tudo, quero começar por exteriorizar a minha profunda alegria ao receber o Prémio Literário Manuel António Pina. Alegria pelo prémio em si e alegria por ter sido agraciado por esta Edilidade, pois trata-se de uma Edilidade que representa uma região onde pontuam nomes como Rui de Pina, Nuno de Montemor, Virgílio Ferreira, Eduardo Lourenço, Américo Rodrigues e Manuel António Pina, só para citar algumas figuras proeminentes da literatura e da cultura portuguesas.
Como podem imaginar, a atribuição do Prémio Literário Manuel António Pina faz com que me sinta extremamente honrado e reconhecido. Honrado não só pelo nome que o prémio ostenta e pelos seus membros do júri, mas também por se tratar de uma 1º Edição em que, tal como foi realçado pelo júri no comunicado de atribuição do prémio, a quantidade e qualidade das obras a concurso sublinham plenamente o reconhecimento literário de Manuel António Pina – hoje, sem dúvida, um dos mais importantes escritores portugueses, na sua criativa abrangência literária, que vai do teatro às crónicas ou da poesia à literatura infantil. Faço minhas as palavras de Eduardo Prado Coelho, no momento em que a Assírio & Alvim publicava a Poesia Reunida de Manuel António Pina: estamos em condições de poder afirmar que nos encontramos perante um dos grandes nomes da poesia portuguesa actual. Uma extrema delicadeza pessoal, uma discrição obsessiva, uma cultura ziguezagueante e desconcertante, mas sempre subtil e envolvente, um sentido profundo da complexidade da literatura, e também, sobretudo, da complexidade da vida, (…) uma obra maior da literatura portuguesa”.
Sim, só posso sentir-me honrado e agradecido – em muitos sentidos – pela atribuição deste prémio, para mais em sua primeira edição.
Podemos interrogar-nos – e muitos se interrogam – acerca da utilidade da poesia. Hoje, neste Dia Mundial da Poesia, e depois das mais recentes catástrofes das últimas semanas, acredito, mais do que nunca, que o papel social e político da poesia continua tão imprescindível como no momento do seu surgimento no ritual colectivo de que a comunidade, então como hoje, necessitava para sobreviver: para passar o conhecimento e reinventar o mundo.
Atrevo-me a tomar emprestado o texto de José Saramago ao receber o Nobel, para responder à permanente questionação acerca da legitimidade e/ou utilidade desta arte:”
""Vivemos num momento em que a sociedade iluminista ( aqui uma referência e um cinismo) perde sua maior conquista: o controle e a racionalidade sobre as emoções - e também a decadência e o inicio de uma crise nas instituições humanas e seus símbolos. Nota-se isto, por exemplo, no crescimento da violência em nosso país e mundo, e vindo disto a discussão dos valores humanos e a busca por uma solução. Neste momento de grande violência vozes e mais vozes levantam-se na poeira pedindo Paz! Paz pedida aos governos e seus representantes, paz pedida às famílias, Paz gritante e clamorosa, paz supliciada e vinda da dor de muitos. Recentemente, vivenciamos - ou, assistimos -, ao massacre ocorrido numa escola municipal do estado do Rio de Janeiro, no bairro de Realengo. A dor vista, a dor sentida, a dor sufocante, levou a muitas vozes se unirem e pedirem paz vinda da dor humana sentida diante da barbárie feita por aquele jovem, outra vitima e por sua vez um assassino. Desta dor compartilhada surgiu o projecto "REALENGO POETAS PEDEM PAZ", uma antologia criada em homenagem às vitimas e suas famílias. O projecto feito em parceria com o site Germina e o escritor Mariel Reis convocou poetas no Brasil e no Mundo para darem suas vozes em favor da Paz. Recebemos mais de 50 poemas, em sua maioria do Brasil, e outros do Japão e Portugal, o que nos deixou felizes e reflexivos de que a empatia é um sentimento que leva a uma acção, de fato, profundamente transformadora. Este projecto hoje se realiza com a publicação no site Germina como uma edição extraordinária (os links seguem abaixo). Como autor do projecto, dedico a antologia a meu filho Ângelo e minha mulher, - pois foi a lembrança deles, quando presenciei tal calamidade, a decidir por essa acção - e às famílias do massacre de Realengo. A todos que recebem este email, peço que divulgue esta homenagem e se usem de suas vozes para pedir Paz." -(Anderson Fonseca). .
Eu contribuí para esta antologia, mas essencialmente para este propósito - PAZ -, com o poema "É urgente o amor", que foi ligeiramente modificado, ele que já tem alguns aninhos e que "bebe" nesse grande poeta português que se chama António Ramos Rosa. Que todos, nem que seja através desta aparente e inútil voz da poesia, consigamos contribuir um pouco para esse desígnio absolutamente imprescindível a este nosso belo planeta: a PAZ!
ninguém te sonha o oiro do cabelo na tela da manhã à beira-rio impúbere ninfazinha o tornozelo mostrando por extremo desfastio. doente um só poeta te veria excelsa proibida a seu desejo descalça caminhando em fantasia por nuvens a encobrir o próprio pejo. os sinos de Florença dobrariam e quatro carpideiras ergueriam ao toque dos varais o seu lamento. ideia te tornavas afinal deitada numa taça de cristal espírito abraçado pelo vento.
Neste "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas", refira-se que, para comemorar e testificar a atribuição do "Prémio Camões" 2011 a Manuel António Pina, foi recentemente editado e apresentado pela "Assírio & Alvim" o seu mais recente livro, «Poesia, Saudade da Prosa— uma antologia pessoal».
Aliás, como referiu Manuel Rosa, editor da Assírio & Alvim, esta, "é uma selecção que ele fez sobre os poemas de sua autoria que considera mais marcantes. São apenas 80 páginas mas permitem um olhar bastante profundo sobre o seu universo poético".
Este é sem dúvida um excelente volume (auto)antológico da sua obra poética. Prémio merecido, livro a merecer ser lido, Manuel António Pina a merecer ser cada vez mais relido.
A um jovem poeta
Procura a rosa.
Onde ela estiver estás tu fora de ti. Procura-a em prosa, pode ser
que em prosa ela floresça ainda, sob tanta metáfora; pode ser, e que quando nela te vires te reconheças
como diante de uma infância inicial não embaciada de nenhuma palavra e nenhuma lembrança.
Talvez possas então escrever sem porquê. evidência de novo da Razão e passagem para o que não se vê
Hoje,04 de Junho de 2011 estarei pelas 16h30na inauguração das novas instalações da livraria alfarrabista Miguel Carvalho. Este novo espaço do Miguel [também poeta, artista plástico e o principal dinamizador do Grupo Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism] é sem dúvida extraordinariamente apelativo, não só pelo conteúdo [uma imensidão de livros e manuscritos raros], mas sobretudo, pelo seu design interior e a sensibilidade com que o Miguel relaciona os livros com outras obras de arte e sua disposição interior.
Neste seu novo espaço, situado no Adro de Baixo (junto à praça do comércio) em coimbra,será então celebrada esta inauguração com um momento musical porÁlvaro Aroso(guitarra portuguesa), Eduardo Aroso(viola de acompanhamento) e Hugo Aroso (viola de acompanhamento) e com um momento de poesia do poetaJoão Rasteiro. Haverá aindauma exposição de pintura do artista plásticoSeixas Peixoto.
Em baixo, um dos poemas que lerei [mais concretamente o meu último poema, de homenagem ao Manuel António Pina, nosso Prémio Camões 2011] que se intitula "A falua do desejo":
A falua do desejo
Ao Manuel António Pina
Ousar pensar uma árvore de poemas
é olhá-la e pressenti-la pelo ângulo do anseio
que nos estende os tentáculos,
é comer um corpo
até a boca ficar em chagas maduras
saber-lhe sem limites obscuros
o ocluso estertor do coração
ou a desmedida voltagem do voo do rouxinol
em núbil e puro eclipse,
é beber água e sangue na paridade dos líquenes e da utopia
um só tempo uma lembrança até que a flor em sua triste alegria recomece
nas primeiras gramáticas da aurora
em sua falua de abóbadas abertas ao desejo.
Não brotará e morrerá mais sublime fruto
em mundos de sedutoras abaúlas
do que a demoníaca sílaba
cantando sob a lua a idade dos jovens deuses que tem raízes de abismos
na melancolia inexpugnável da matéria de um poema.
Hoje e amanhã estarei em Aveiro, em mais um "encontro poético Luso Espanhol", organizado pelo Grupo Poético de Aveiro e no qual, consubstanciado ao tema do Mar, diversos poetas de Espanha e de Portugal celebrarão a poesia. Se puderem apareçam.
"O Grupo Poético de Aveiro promoverá nos dias 28 e 29 de Maio mais um Encontro Poético Luso Espanhol no qual reunirá, sob o tema do Mar, poetas de Espanha e de Portugal. Para comemorar substantivamente 18 anos de actividade ininterrupta neste domínio do intercâmbio poético e da divulgação da poesia.
Os convidados espanhóis, que integram Grupos poéticos-irmãos do GPA, para este evento são:
Francisco X. Fernández Naval - Corunha
Asun Estévez - Pontevedra
Do Grupo Literário e Artístico de Sarmiento de Valladolid:
José António Vale Alonso
Araceli Saguillo
Do Circulo Poético Ourensano:
María Glez. Méndez
José Ramón Morgade
Do Colectivo Poético Penúltimo Acto da Galiza:
Rosa Negra
Cruz Martínez
Também estará presente, como convidado especial, o poeta João Rasteiro de Coimbra.
O programapúblico será como segue:
Sábado dia 28 de Maio
15:30h – A Poesia – Palestra João Rasteiro - Feira do Livro de Aveiro
16:00 - Declamação de poemas da última revista do GPA– Feira do Livro de Aveiro
17:30 - Passeio poético de Barco Moliceiro
19:00 - Apresentação e declamações- Feira do Livro de Aveiro
Domingo dia 29 de Maio
11:30h – Recital - Concerto Poético com o músico Paulo Mota