(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»»
"Só existe o tempo único.
Só existe o Deus único.
Só existe a promessa única,
e da sua chama
e das margens da página todos se incendeiam.
Só existe a página única,
o resto fica,
em cinzas. Só existem
o continente único, o mar único –
entrando pelas fendas, batendo, rebentando
correndo de lado a lado".
__________ Robert Duncan
Enquanto o meu livro "Tríptico da Súplica", editado pela ESCRITURAS Editora de São Paulo, Brasil, se prepara para ver a luz dos dias brasileiros, é já no próximo sábado, dia 05 de Novembro, que pelas 17h00, na livraria "Miguel de Carvalho - livreiro antiquário", sita na Rua do Adro, nº 6, Coimbra, (nas traseiras da Igreja de S. Bartolomeu, perto da Portagem, na Baixa de Coimbra), se procederá ao lançamento do livro de poemasELEGIAS. Esta obra é uma edição DEBOUT SUR L'OEUF confinada a 77 exemplares numerados e autografados pelos criadores, João Rasteiro (poesia) e Rik Lina (desenho e pastel), dos quais 7 exemplares ostentam um desenho original a tinta da china e um poema manuscrito.
A apresentação será efectuada pelo Prof. Doutor ALBANO FIGUEIREDO da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Haverá ainda uma leitura de excertos da obra pelo poeta JORGE FRAGOSO.Esta apresentação antecede a inauguração da exposição "LIANA" do artista plástico holandês, Rik Lin.
A todos os que puderem e quiserem comparecer lá vos aguardaremos com a maior satisfação e alegria.
No meio de tanta incerteza e tristeza com este pobre país à beira mar plantado, são estas pequenas alegrias e, porque não dizê-lo sem falsos pudores, pequenas vitórias, que nos (me) vão dando alguma força e conforto, e falo do meu novo livro, que no princípio de Novembro estará nas livrarias no Brasil.
Este "Tríptico da Súplica" é um livro [reúne três livros: "Diacrítico", "A Divina Pestilência" e "No Prelúdio das Rezas Pagãs" - os dois primeiros são os meus mais recentes livros editados em Portugal] que é editado pela editora "Escrituras" de São Paulo, na sua colecção "Ponte Velha", que é apoiada pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB/Portugal).
Esta é uma colecção com cerca de quatro dezenas de obras já publicadas (essencialmente de escritores portuguese, mas também escritores dos países lusófonos), que inclui nomes como António Ramos Rosa, Nuno Júdice, Pedro Tamen, Luiza Neto Jorge, Ana Hatherly, Rosa Alice Branco, Luís Pacheco, Corsino Fortes, Maria João Cantinho, Fernando Echevarría, José Luís Tavares, Olinda Beja, Casimiro de Brito, Maria Estela Guedes, João Barrento, Maria Teresa Horta, Fernando Guimarães, Artur Cruzeiro Seixas, Fernando Aguiar, António Barahona, Pedro Proença, etc.
Brevemente darei mais notícias sobre o livro e algumas actividades relativas à edição e/ou lançamento do mesmo.
O já famoso Poemárioque a Assírio e Alvim publica religiosamente à vários anos e que, religiosamente alguns coleccionam de forma fervorosa, e que em 2011 surgiu [para contentamento de uns e, para desgosto de outros] com capas duras, não deixa de ser, de continuar a ser, essencialmente, uma excelente antologia de poesia, para mais, a preço extremamente convidativo.
Aqui fica um dos poemas do POEMÁRIO, o poema "POÉTICA", de Fiama Pais Brandão:
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A luz e a treva que mostram o
prodígio. A literatura muda
que nasce do fundo do silêncio. Alfa e
ómega ou a manhã e a noite.
Seres feitos de matéria e pensa
mento feito de memória. Aqui
o verso repousa na sua figuração.
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.................In, POEMÁRIO, Assírio e Alvim, 2011 .
A exposição fotográfica “Entre a forma e a função: a materialização da justiça” éinaugurada no CES - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra, Piso 1, no dia 20 de Setembro pelas 16h30.
"Os Tribunais, enquanto espaços arquitecturais, incorporam e representam a materialização das relações sociais e de poder estabelecidas no âmbito da justiça. Contudo, reflectimos pouco sobre estes espaços e há quem diga, até, que estamos a falar de um tema vago e sem interesse.
Para contrariar essa percepção, e através de 15 fotografias, pretendemos dar conta do sentimento comunicante destes edifícios e dos seus diferentes espaços, onde salas de audiências, salas de espera, salas de acolhimento para crianças, entradas, escadarias e corredores se cruzam entre jogos de luz e de sombra, tempo e lugar, onde a justiça se concretiza todos os dias."
Estas 15 fotografias serão acompanhadas por 15 textos. Eu participo com estes 3 textos:
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Foto 4
Ao cimo os deuses esperam-nos como pássaros primordiais. A reverberação da escada talvez nos leve apenas aos demónios do verbo. Nos vitrais ousaremos sonhar o cerúleo da silaba pois existem orifícios de luz e fogo. Aí será a superfície que sustém a ordem dos mitos. E nela principia a justiça e o mundo. E nela se produzirá um ruído aterrador.
Foto 9
Este é o lugar da blasfémia. Aqui a geometria é um espaço que condiciona as falas que enxugaram as frechas do archote. E os cânticos são terríficos para os seres pasmados de fábulas. Este é o sítio onde a perspicuidade das estruturas é um ínfimo apólogo.
Foto 15
Os lugares permanecem separados apenas pela cíclica purga dos preceitos. No reflexo da bétula uma sombra em síncope atulha os casulos. Dos corpos se esvazia o espaço quando o espaço desvive. No exterior aguardam-se os próximos rogados seres que agoniam nas trevas. Todos serão reciclados no maduro seio dos deuses em seu pêndulo.
Álvaro Alves de Faria é, sem dúvida, uma das vozes mais conceituadas da "Geração 60"da Poesia Brasileira. Autor de mais de 50 livros, que vão do romance às novelas, livros de entrevistas literárias, ensaios, crónicas, além de peças de teatro, incluindo adaptações de textos seus ao cinema. Recebeu inúmeros prémios, quer seja ao nível da poesia, do teatro ou do jornalismo cultural, onde já obteve dois Prémios Jabuti. Desde 1999, publicou oito livros em Portugal, sete de poesia e a novela, “Cartas de Abril para Júlia” (2010). Diz que veio para Portugalem busca da poesia que lhe falta actualmente no Brasil. Agora que se prepara, neste mês de Setembro, para editar em Portugal mais um livro, intitulado, “Três sentimentos em Idanha e outros Poemas Portugueses”, é a altura ideal para lhe ter feito uma entrevista, até porque como afirma no poema OCO:Tenho pensado em desatinos,/como por exemplo/matar todos os poemas/de todos os livros do mundo,/palavra por palavra,/sílaba por sílaba,/deixando só uma coisa oca no lugar,/o poema mais." A entrevista pode ser lida na íntegra, no último número da revista TRIPLOV - [http://novaserie.revista.triplov.com/numero_19/alvaro_alves_faria/joao_rasteiro.html].
SACERDOTE
Quando eu pensei em ser padre,
Deus não precisava ser temido por ninguém.
Depois desisti,
sem saber exatamente porquê.
A freira que ia casar-se comigo se matou
numa sexta-feira da Semana Santa.
Joguei então minha batina no fogo
que também me consumiu.
Então virei santo,
mas ainda não fiz nenhum milagre,
tenho muito a aprender. ......................Álvaro Alves de Faria
"A minha pátria é a língua portuguesa", afirmava Fernando Pessoa. E seguindo de alguma forma este lema, aV Edição dePORTUGUESIAaí está à porta.
No próximo sábado, dia 03 de Setembro, com apoio, desde a sua primeira edição, da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a Casa Museu de Camilo [sede original da primeira edição]recebe aV EdiçãodePortuguesia.
AV Edição dePortuguesia[com Curadoria de Luís Serguilha e Wilmar Silva, o autor do projecto] apresentará poetas de Portugal, Brasil, México, Moçambique, Finlândia e Espanha, através de um ciclo de performances “Guesas Livres”, leitura por Regina Mello de cartas de amor enviadas a Camilo Castelo Branco, além de debate [com mesas específicas e temáticas], de pensamentos e lançamento/apresentação do livro “KOA`E” de Luís Serguilha, publicado pela editora brasileira Anome Livros.
Eu participarei pelas 15h00, em mais uma “Guesas Livres”, lendo conjuntamente com os poetasCamila Vardarac [Brasil], Olga Valeska [Brasil] e Victor Sosa [México].