(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»»
"Só existe o tempo único.
Só existe o Deus único.
Só existe a promessa única,
e da sua chama
e das margens da página todos se incendeiam.
Só existe a página única,
o resto fica,
em cinzas. Só existem
o continente único, o mar único –
entrando pelas fendas, batendo, rebentando
correndo de lado a lado".
__________ Robert Duncan
A minha falta de disponibilidade em participar na "Colectiva" do Jornal VAGALUME, dedicada ao poeta Carlos Felipe Moisés, não tendo por isso respondido ao convite da Cida Sepúlveda, fazem-me pedir desculpas aos dois, publicando do meu amigo Carlos Felipe Moisés o poema "Lagartixa", poema que me faz recordar os bons tempos que passámos em 2004 durante os V Encontros Internacionais de Poetas, realizados em Coimbra desde 1992, pelo Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Universidade de Coimbra.
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Lagartixa
O peito é de vidro. Os olhos, porcelana delicada e astuta. Da língua escorre o néctar sutil. As patas são de estanho, mas sabem se mover imóveis: mal flutuam. O ventre é quase nada, pura transparência onde se escondem o dorso e seus andaimes. Não tem entranhas. A pele de tão fina já não é: ..........limita semovente o nada de fora e o quase nada de dentro. .
. O peito é de vidro mas às vezes se desmancha em pétalas. Dentro pulsa um coração que imobiliza tudo em torno. O rabo, sim, é feito de algo insuspeitado: ........nuvem .........algas milhares de roldanas ........e desejos enrodilhados na engrenagem que espaneja o chão .......e foge para o céu aberto. Carlos Felipe Moisés
................................................HUMANOS---Quero é viver
É assim o corpo: como as rosas do metal em peso sobre as bocas, sangrando devagar, gota a gota, apocalíptico, inesgotável espaço pulmonar, sílaba a sílaba como a sagrada perfuração dos espinhos. O estilo de cantar a fervura das águas, as gigantes sequóias e o esquivo beija-flor, correspondências ébulas que visam só uma inviolável e amorosa esfera de linguagem nua em suas espécies de verbo, seu eco de carmesim como teorema biológico: poesia.
Pétalas negras de dialecto infinito: natureza e desejo de constelações, o gerânio e a libélula, as crias fervilhando inscritas com os sexos dentro do movimento, a percussão violenta e obsessiva da antecipação das veias, o génesis das fendas sob a palavra centrífuga. E, para além das chuvas, o corpo aberto para quem se afoitar no murmúrio dos inclassificáveis, nessa ixicial geografia de oiro onde se ocultam o bdélio e a pedra de ónix. E há a criança-magnólia de um poema em seu sal único: ressureição.
E se os lamentos das aves sobre a arte das anopsias que cobrem a luz dos abismos avivam a elisão da caligrafia branca dos afectos, corpo e poema, sós em seu coito: If you`ll believe in me, I´ll believe in you. Is that a bargain? João Rasteiro . Hoje é o dia mundial da mulher. A minha simples homenagem é feita com a extraordinária canção do Chico, Geni e o Zeplim. ............................"Geni e o Zepelim" -Chico Buarque
O poeta brasileiro e co-editor da CRONÓPIOS, Edson Cruz, tem estado a questionar uma série de poetas, colocando-lhe três "simples" questões que coloca no blogue "SAMBAQUIS", facto que deverá dar origem a um livro organizado por si. As minhas respostas, actualmente no "ar", podem ser lidas na íntegra em:http://sambaquis.blogspot.com/ . O que é a poesia para você? .
Na juventude era sobretudo estranhamento, depois passou a ser brincadeira e prosápia, só que agora é medo e sofrimento. Poderia talvez dizer que a poesia é. Talvez substanciá-la como espanto e descoberta, caos e criação, vida e morte, verbo e substantivo. Poderia até dizer que a poesia é o lugar mais recôndito e primordial da alucinada linguagem em seus mundos e corpus de perplexidade. Poderia talvez, como refere Herberto Helder, dizer que ela é (...)
. O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de maneira? .
Ousar pensar/sonhar a palavra outra, a transgressão outra, a linguagem outra. E naturalmente deverá ler, ler, ler – ler incessantemente. Depois, escrever, escrever, escrever – escrever/ver/reescrever/ser. Até se viciar(...)
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Cite-nos 3 poetas e 3 textos referenciais para seu trabalho poético. .
Por que destas escolhas?Afinal são duas perguntas numa só. Apontar três poetas é tão difícil como apontar um, seis ou até nove – Homero, Dante, Shakespeare, Camões, Rilk, Lorca, Pound, Breton ou Kavafis. E no entanto atrevo-me, embora por múltiplas e variadas razões, a apontar os seguintes poetas:(...)
Dorme que eu velo Sedutora imagem Terna miragem ................................ Nada em mim é risonho Ou anseia viagem. Quero-te para sonho Não para gozo e dor. . Tua carne psalma Fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços Nem quero ter nos braços ............................................ Dorme, filha, dorme, Vaga em teu sorrir. Sonho-te tão bem Que o corpo me vem E me venho sem ir. Mário Cesariny
Respiro e escrevo silêncio no acto de escrever e silêncio até à distância extrema e na língua o silêncio ferve a grande terra da garganta branca lâmina e dedos quase míticos a líquida frescura dos golfos onde se renovam os silêncios sob a cúpula acolhedora do sangue o excesso do corpo dos mortos o silêncio que se deixa respirar. João Rasteiro .................................Buena Vista Social Club
José Afonso: Aveiro, 2/08/1929 — Setúbal, 23/02/1987 Que amor não me engana . Que amor não me engana Com a sua brandura Se de antiga chama Mal vive a amargura . Duma mancha negra Duma pedra fria Que amor não se entrega Na noite vazia . E as vozes embarcam Num silêncio aflito Quanto mais se apartam Mais se ouve o seu grito . Muito à flor das águas Noite marinheira Vem devagarinho Para a minha beira . Em novas coutadas Junto de uma hera Nascem flores vermelhas Pela Primavera . Assim tu souberas Irmã cotovia Dizer-me se esperas O nascer do dia José Afonso
António Ramos Rosa é candidato à 18º edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana, um dos galardões literários de maior prestígio no espaço hispânico. Já no ano passado, a SPA apresentara a candidatura de A. Ramos Rosa ao prémio, (facto inédito, a candidatuta dois anos seguidos do mesmo poeta) que tem a dotação pecuniária de 42100 euros. Prémio que apenas foi ganho uma vez por um(a) português(a), Sophia de Mello Breyner Andresen na edição de 2003. Sendo um dos mais prestigiados prémios literários, pretende distinguir o conjunto da obra poética de um autor vivo que, pelo seu valor e impacto literário, constitua uma contribuição extremamente relevante para o património literário e cultural, partilhado por toda a comunidade ibero-americana. Poetas como Antonio Gamoneda, Mario Benedetti ou João Cabral de Melo Neto (para além de Sofia) já conquistaram o prémio.
Estou vivo e escrevo sol
Eu escrevo versos ao meio-dia e a morte ao sol é uma cabeleira que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo Estou vivo e escrevo sol Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam no vazio fresco é porque aboli todas as mentiras e não sou mais que este momento puro a coincidência perfeita no acto de escrever e sol A vertigem única da verdade em riste a nulidade de todas as próximas paragens navego para o cimo tombo na claridade simples e os objectos atiram suas faces e na minha língua o sol trepida Melhor que beber vinho é mais claro ser no olhar o próprio olhar a maravilha é este espaço aberto a rua um grito a grande toalha do silêncio verde. António Ramos Rosa ............................................The Animals-House of the Rising Sun
..........................................Alfredo Luz O corpo profuso flutua incendiado como os tendões duros da terra, eu sigo o eco da maturação perfeita, um círculo fechado no halo dos enigmas que ignora a extensão da sua teia púrpura
(...)
Há bocas cheias de secretos signos que a água não escondeu dentro do fogo mães rasgando um lento solo sagrado
(...)
Olho os favos de mel da idade inicial o lugar em que se simula a ressurreição e as veias são um rastro de estrela.
Raúl Perez, aqui em amena conversa, comigo e com o pintor Seixas Peixoto, durante a inauguração da exposição "A Voz dos Espelhos", Amadora/08, nasceu em Lovelhe-Minho em 1944. Realizou a sua 1º exposição individual em 1972 a convite de Cruzeiro Seixas. Depois de em 1973 integrar o Movimento Phases, expôs em vários locais, quer em Portugal, quer no estrangeiro, tendo ao longo dos anos integrado algumas das mais importantes exposições do surrealismo internacional, mesmo recusando-se a integrar explicitamente um movimento artístico, partido, clube ou religião. A sua pintura, ditada essencialmente pelo automatismo, cria uma imagética organicista e contagiante de seres híbridos, de contornos moles e ondulantes, em áridas arquitecturas e crepusculares ambientes metafísicos (Gonçalves & Cuadrado, 2004). É sem dúvida hoje, um dos mais importantes pintores portugueses contemporâneos.
O Museu Colecção Berardo apresenta a maior exposição de sempre do pintor Raúl Perez-Cerca de 90 desenhos e pinturas criadas entre 1960 e 2008 por Raúl Perez vão ser apresentados segunda-feira no Museu Colecção Berardo, naquela que é a maior exposição de sempre dedicada ao universo plástico deste artista português."Raúl Perez - Desenho e Pintura" será apresentada em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda, com sede em Famalicão, onde, em 2006, o pintor de 64 anos apresentou uma outra exposição com cerca de setenta obras. Foi a partir dessa exposição que decidiu fazer uma mais alargada, com uma selecção de obras "mais apurada", totalmente dedicada a uma fase iniciada a partir dos anos 1960, explicou Raúl Perez em entrevista à Lusa a poucos dias da inauguração. (In, Público).
Em sua homenagem, um poema de Mário Cesariny, um pintor e poeta que sempre admirou.
Crateras de pedra acesa ...........................A Jesús Hilário Tundidor
Deves ser a derradeira cidade dos primitivos animais doirados que aspergiam a pedra do interior dos pulmões as bárbaras vísceras do Minotauro na polpa crua que se adoça em minha fronte, . como o seixo que se desabrocha puro do âmago corrompido da terra trepando para beber a sede irada do Tormes e em seu flanco esperar pelo sol que fulge o fogo. . Procuras a deflagração ao centro, um modo de te amar as crias dentro do tempo aonde se ampara o precipício imediato da sílaba. .............................................João Rasteiro . JOSÉ CARRERAS -GLORIA (MISA CRIOLLA)
Foi editada recentemente a antologia "Os dias do Amor - Um poema para cada dia do ano", 365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares. A recolha, selecção e organização foi efectuada pela Inês Ramos e inclui prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho. A obra conta com nomes variados, portugueses e estrangeiros, poetas com obra e nome já "feito" e também com poetas menos reconhecidos, ou menos visíveis, mas que no seu conjunto contribuem para um belo livro de poesia. A antologia conta com nomes como, António Ramos Rosa (Portugal), Affonso Romano de Sant'Anna (Brasil), Luís de Camões (Portugal), Almeida Garrett (Portugal), Al-Mu’tamid (Alandalus), Bocage (Portugal), D. Dinis (Portugal), Daniel Faria (Portugal), Dante Alighieri (Florença), Emily Dickinson (EUA), Fiama Hasse Pais Brandão (Portugal), Nuno Júdice (Portugal), Gabriela Rocha Martins (Portugal), etc. E é da Gabriela R. Martins o poema que se segue e incluido na antologia, até porque sem falso pudor, me sinto bastante lisonjeado por o poema me ser dedicado.
-O Caçador.Cativo ............................ao João Rasteiro
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haviam.se em vão procurado nas cidades
.
percorrera continentes
quando desistira
encontrara.se solto no ritmo lento
de uma valsa
dançada em contra.mão
.
desintegrado
.
sentira as ondulações das cearas
que cearara em dança lenta
regressara estranho às recordações de antanho
antanho era a linguagem de seus avós
.
havia crescido junto à terra gretada
pela fome das manhãs abertas
desde cedo havia sentido a boca
apagada de desejo de terra pão
fustigada pelo vento
.
havia pulado a cerca
construída sobre os dias
como as copas das árvores que
costumava ouvir à noite entregue
aos seus passos de caçador furtivo
fora numa dessas deambulações que a encontrara
solta
aproximou.se
ela a medo levantou as asas
no voo ferido
.
soltou os cães
ficou suspenso à dança do animal
em voo
primeiro raso
depois mais alto
arribando em direcção ao mundo
em tons de mel
engrossou o batimento das asas
ao som da pressa
do homem / caçador / cativo
daquele voar
enquanto filados
os cães esperavam a voz de comando
.
ele muito aquém da aventura
seguia.lhe o volteio
o silêncio da terra era o elo que os unia
.
ele o caçador cativo
ela solta à migração
.
o desejo deixava.os sob um manto de horas
semeadas a esmo
que estranho aquele olhar que
se projectava na mira do caçador
tornando.a vulnerável ao cúmplice
jogo do agarra e foge
ele o enfabulador
regressava caçador
ela de asas fechadas
pronta a deixar.se prender
olhou.o
ele viu.se
projectado no olhar em flash . uma ave / dona.
Gabriela Rocha Martins .............................."Dancemos no Mundo" -Sérgio Godinho
"Hilda Hilst, uma das maiores escritoras brasileiras e falo escritor, do porte de uma Clarice Lispector sem desmerecer Guimarães Rosa , foi uma mulher muito injustiçada. Dona de um estilo único, ela nunca teve no grande público a repercussão que merecia (...)Morreu na solidão e morreu na incompreensão.". - Ignácio de Loyola Brandão da morte. odes mínimas . Teu nome é Nada. Um sonhar o Universo No pensamento do homem: Diante do eterno, nada. . Morte , teu nome. Um quase chegar perto. Um pouco mais (me dizem) E terias o Todo no teu gesto. Um pouco mais, tu O terias visto. . Teu nome é Nada. Haste, pata. Sem ponta, sem ronda. Um pensar duas palavras diante da Graça: Terias tido. . Árias Pequenas. Para Bandolim . Antes que o mundo acabe, Túlio, Deita-te e prova Esse milagre do gosto Que se fez na minha boca Enquanto o mundo grita Belicoso. E ao meu lado Te fazes árabe, me faço israelita E nos cobrimos de beijos E de flores . Antes que o mundo se acabe Antes que acabe em nós Nosso desejo. . Via Vazia VIII . Descansa. O Homem já se fez O escuro cego raivoso animal Que pretendias.
Hilda Hilst - A sublime SenhoraH. - Música de Mallu Magalhães
Respondendo ao excelente repto da Gabriela Rocha Martins (Blogue: .canto.chão.), transcrevo a 6º linha, da página 161 da obra "Os Passos em Volta", de Herberto Helder, 3º Edição, 1970, a partir da qual "saiu" o poema que se segue - "Pequena oração para uma geografia familiar". Eu também irei lançar os meus reptos.
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........"Era uma velha mãe em fundo de jarrão verde com (...)"
Pequena oração para uma geografia familiar
Esperava cobrir a terra novamente de júbilo ser oferenda madura como uma tâmara imitando a densa voracidade de uma velha mãe que intransigente é o arco de si própria mas tu estarás pomar em fundo de jarrão verde dobrado sobre a dilatação das casas acesas anteriores ao fogo louco da sílaba. . E sei que há um silêncio de primaveras negras e digo que todo o amor é uma abóbada de pequenos vulcões que adormecem junto ao barro morrendo entre lírios e chuva regeneradora e vejo o odor maternal fundir barro e cor corpos metidos em conchas verdes sob o coração. . Mas tu, ó relâmpago que esmagas a prumo fundo a luz arrancada das ciladas nocturnas, ó cometa obscuro atravessado por dentro do milagre? . Do lugar circunscrito às talhas espero a obra cega no segredo da traqueia das mulheres que criam nas cisternas mais fundas sob o verde puro da laranjeira uma ave-maria como uma desmesurada boca viva uma velha geografia - a força magnética da criação dobrada em si mesma por doces lágrimas envelhecidas. João Rasteiro ..............................Pink Floyd - Mother
Acerca do lírico amor obscuro de mim o tempo acúleo cogitava a morte inclinada em contrição na geometria mais invisível ele o rosto oxidado na cegueira fincada a cítara dos acesos sexos lascados os clarões do crime nas máscaras bebendo a luz dos prodígios em bocas líquidas sementes do cordeiro de deus sangram os espinhos da ácida língua. * Não há lugares profusos nos alfabetos a paisagem dos acasos - nos corações transbordam vertiginosas superfícies as tecedeiras sobre o linho respirando inversas – o âmago do mistério da voz. * - Um dia alguém terá nos dentes lágrimas vivas. João Rasteiro - In, Se a boca virar faca cortará os lábios(inédito)
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..............................."A gente vai continuar" - Jorge Palma
Já foi tornada pública a lista dos 12 livros finalistas, candidatos ao Prémio Literário Casino da Póvoa do Correntes d’Escritas. O evento vai decorrer entre os dias 11 e 14 de Fevereiro de 2009. A eleição do poeta dos poetas relativo à presente edição está quase a chegar e sairá das seguintes obras:
. • Gastão Cruz, A Moeda do Tempo, Assírio e Alvim • Nuno Júdice, As Coisas Mais Simples, Dom Quixote • José Agostinho Baptista, Filho Pródigo, Assírio e Alvim • Maria Teresa Horta, Inquietude, Quasi • Jorge Gomes Miranda, O Acidente, Assírio e Alvim • Armando Silva Carvalho, O Amante Japonês, Assírio e Alvim • José Rui Teixeira, Oráculo, Quasi • António Cícero, A Cidade dos Livros, Quasi • Eucanaã Ferraz, Rua do Mundo, Quasi • Eduardo White, Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva, Campo das Letras • Antonio Gamoneda, Descrição da Mentira, Quasi • A.M. Pires Cabral, As Têmporas da Cinza, Cotovia
Um pequeno trecho da obra finalista, "Oráculo" de José Rui Teixeira: . Quando eu era criança anoitecia sobre a verdade intrínseca de haver ruas pequenas e horizontes pequenos no fundo das ruas. Os velhos sentavam-se na soleira da porta nas noites de verão e as raparigas sangravam demoradamente o calor para dentro dos pulmões e cresciam-lhes os seios, e fechavam-se em casa. Quando eu era criança a minha mãe pousava na superfície do outono como um anjo ferido. .................................A Naifa-Desfolhada
A tumba do poeta - Rik Lina Fiama Hasse Pais Brandão- (n.15/08/1938-m.19/01/2007) . Espaços Todas as coisas e seres são dados aos poemas e exigem estar. Próximas paisagens distantes, seres presentes. Entre o aparo e a escrita. Próxima, não a respiração mas a presentificação das coisas, infindos riscos. . Nessa parede verde da hera Nessa parede verde da hera o teu rosto cada vez ganha mais forma, entre as mãos de verdura estendidas aos ventos que as dobram e movem. . Quando te vejo na luz ou nessa sombra estar vago e ser tão próximo, só tu sendo não sabes onde te vejo, só eu muda não digo onde te guardo. Fiama Hasse Pais Brandão ..........................///..................................... João Aguardela- (n.1969-m.18/01/2009) ...................................SITIADOS -Esta vida de marinheiro
No próximo fim de semana estarei no Algarve, mais concretamente em Lagoa, onde irei efectuar uma leitura de poesia englobada na inauguração da exposição internacional "Iluminações Descontínuas" - surrealismo actual. A inauguração da exposição acontecerá pelas 17h00, sábado 17 de Janeiro e estará em exibição na Sala de Exposições Temporárias Manuel Gamboa, no Convento de S. José, em Lagoa, de 17 de Janeiro a 28 de Fevereiro de 2009. Esta conta com poetas e pintores de vários países, nomeadamente, Espanha, França, Chile, Holanda, Portugal, Argentina, Brasil, Canadá, Costa Rica, Indonésia, Rep. Checa, África do Sul, Colômbia, Roménia e Hungria. Em Lagoa irão marcar presença alguns nomes como Maria Estela Guedes, Sérgio Lima(Brasil), Miguel Carvalho, Rik Lina(Holanda), Alfredo Luz, Allan Graubard (EUA), Seixas Peixoto, etc. Na inauguração, para além da pintura e da poesia, haverá também música. Nos links(*) abaixo indicados, encontrarão notícias e nomeadamente a lista de todos os participantes do evento, que diga-se, reúne um dos maiores - em quantidade e qualidade - conjuntos de artistas (sobretudo na pintura) do actual surrealismo internacional. Na inauguração, ou durante o período em que decorre a exposição, que aliás possuirá uma bela brochura com algumas obras (pintura e poesia) dos intervenientes, o Convento S. José aguarda a vossa visita.
Segue-se um dos poemas com que participo no evento: "Iluminações Descontínuas". Biografia II E tudo ocorre na melancoliada da sílaba, o casulo emergindo nas talhas. Inquieta sofre a gestação no caule dos rebentos. O gesto do corpo no linho que se alinha à mutação. Rota, sopro, sístole ou máscara onde bardos fecundam a sazão da ebriedade. E entra nas vozes, nos hortos, algures no inabitado onde gravitam tâmaras. Melífera ironia das fábulas, a palavra mastiga a água adubada, ser bardo é tocar o fogo o espectro desatando-se sílaba que afeiçoa às matizes do espanto cheio de luz. Então nu. João Rasteiro .......................Mão Morta - Floresta Em Sonho
inês subtil . talvez seja o momento de te dizer que sou da mais vil beleza, feito de amar entre os homens apenas as coisas mais efêmeras . talvez seja o momento de te dizer que me cresceram os teus seios mais jovens, numa indisfarçável necessidade de que me pertençam entre as coisas que te cedo . talvez seja o momento de te dizer que o teu corpo mulher é um exagero do meu deus, generoso mais do que nunca na liberdade da minha fome . não estou certo de que seja o momento de pedir mais ainda, quanto te roubo a alma e aos poucos a entorno pelo caminho até ao outrora vazio do meu coração . como não sei se será certo padecer de alguma felicidade imprudentemente, naquele miudinho perigoso de estar quase a morrer de amor por ti . também eu me sinto capaz de desmaiar com um orgasmo. mas só agora, aos trinta e sete anos, só contigo . . o poeta como nu . um dia apareceu um poeta sem pétalas. nunca tal se vira.sem pétalas, dizia- se, estava igual a nu, coberto de nadaque o diferisse, como se ser poeta não trouxesse marcas à flor da pele. algumas pessoas riram-se nervosamente, e só por isso o estranho poeta se foi embora sem outra notícia valter hugo mãe In,folclore íntimo,COSMORAMA Edições, 2008 ....................................TERESA SALGUEIRO- Amanhã