Eram boas pois, mas acabaram: as benditas e simultâneamente malditas FÉRIAS! Durante os dias em que o No Centro do Arco esteve de férias, participei em Vila Nova de Famalicão no PORTUGUESIA: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética, o meu novo livro, Pedro e Inês ou As madrugadas esculpidas, foi apresentado na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, entretanto saiu mais um número, o #7, da revista BIG ODE – Poesia & Imagem, na qual participei. Estes são alguns assuntos que voltarei a trazer aqui para o "centro do arco".I
Mas vede como o altivo mundo
envolto em seus trilhos de sonhos e abismos
vem orvalhando as cores em seus ardis,
um homem esconjurado em sua boca de múrias
até que a morte o estilhace em mil pedaços
nos desmedidos voos em círculos prolongados,
sob o apocalíptico branco fulgor da eternidade
as pigmentações inacessíveis dos oceanos
conjecturam que o amor absorva a melancolia
em todo os ângulos da paisagem dos naufrágios.
II
E usarei as tuas tintas na minha carne
estancando no cheiro dos dias cegueira e piedade
uma imagem de deus ou bicho circunscrito
pois uma só gota será o sangue da mancha informal
o redemoinho unívoco do coração aceso
nos sopros que desconcertam a oração das cores.
III
Há sempre o ofício de incendiar os olhos
e a luz dobra-se desnuda no âmago dos espasmos
até os dedos caírem dentro dos dedos invisíveis.
As primeiras chamas. A morte em suas cores de vida.
.....................................................João Rasteiro
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