domingo, 13 de abril de 2008

A metamorfose do sonho

Maria João Pires apresenta-se pela primeira vez na Casa da Música num concerto inteiramente preenchido com obras de Fryderyck Chopin, um dos seus compositores predilectos.
Na primeira parte do concerto, Maria João Pires interpreta Nocturno em Si maior e a Sonata para piano n.º 3, em Si menor. Para a segunda parte está reservada uma outra obra de Chopin, a Sonata para violoncelo e piano em Sol menor, composta por quatro andamentos.
Intérprete de excelência (sem dúvida uma das maiores intérpretes da actualidade) de compositores tanto do período clássico como do romântico, Maria João Pires já foi aplaudida em toda a Europa, no Canadá, no Japão, em Israel e nos Estados Unidos. No concerto que encerra as comemorações do 3º aniversário da instituição, Maria João Pires é acompanhada pelo violoncelista russo Pavel Gomziakov, também ele uma das figuras mais proeminentes do violoncelo a nível internacional. Maria João Pires e Pavel Gomziakov realizaram uma série de concertos na Ásia e fizeram parte do projecto «Art Impressions» juntamente com Ricardo Castro.



Para além da magia das suas mãos sobre o piano, Maria João Pires escolheu o sonho e a aventura de BELGAIS (Belgais - Centro para o estudo das artes) e só quem como eu já se fundiu com o espírito e a alma de Belgais,se apercebe da "medida certa da heroicidade de Belgais". O reconhecimento pela UNESCO desse projecto de vida de Maria João Pires foi só uma questão de justiça (que Portugal ainda não lhe prestou!). Como afirma a pianista - "as opções que tomo transformam-se, por vezes, num combate".
Da minha inesquecível passagem por Belgais em 2001 e 2002, integrado na OFICINA de POESIA da Universidade de Coimbra, a minha modesta homenagem, não só a BELGAIS, mas sobretudo a essa mulher, repito, a quem Portugal enredado na sua permanente pequenez, para não dizer mesquinhez, ainda não prestou o devido valor e admiração: Maria João Pires.

O som e a seiva
a solidão consome a carne lúcida
no que resta das feridas silenciosas
o som e a seiva interpenetram-se
ou enlouquecem sob as mãos acesas
o sopro que pelos dedos desliza
em tubos de pedra onde o som ferve
e a mulher está como um fole inicial
todos os sonhos sugeridos em pulsações
de um piano raso com odor a fêmea.

João Rasteiro
In,OFICINA de POESIA - nº2, Série II, 2002

http://www.belgais.org/

http://www.citi.pt/belgais/

http://chumani.paginas.sapo.pt/belgais.htm

4 comentários:

alice disse...

querido joão, estou arrepiadíssima. é lindíssimo o poema. e a música é a própria alma.

Moura Aveirense disse...

Foi um concerto memorável.

Rasteiro disse...

Acho indecente, vir para aqui fazer com que uma pessoa (eu)fique completamente em baixo, uma vez que não assisti ao concerto - isso não se faz!!!!!!!!!!
Um grande abraço.

Anónimo disse...

O Sr. Rasteiro tem alguma coisa do «emplastro» do Porto, não tem?