
"(...) entre os poetas da “sua geração” Luís Quintais é, talvez, o que se mostra pela poética mais alusiva e referencial. É uma poética que se pode situar nos intervalos encantatórios do quotidiano e da imagética. Poesia culta, reflexiva e filosófica, denotando um percurso urbano e o olhar maduro de um etnógrafo à procura do significativo. É uma escrita que normalmente parte do real para a sua transfiguração. Existe em Luís Quintais a perfeita consciência de que a poesia está, obrigatoriamente, dentro da própria linguagem." - João RasteiroO estrépito que o passado faz.
As palavras gritadas.
A terrível máquina de dizer
e calar.
Tudo gira no nada
e no nada se compraz.
Uma fúria ergue-se
no plasma.
Uma cidade é destruída.
Escuta os muros
que se abatem.
Desenha árvores,
o rápido deslizar de nuvens,
o desenho que a mão faz
quando teme agarrar o sentido,
e o sentido é escuro, escuro.
e depois aclarava e depois escurecia.
As árvores gravitavam nas margens
da tua memória,
faziam correr estilos de morte e promessa.
As personagens do inscrevível
seriam afinal mais monstruosas
do que se suspeitara,
e os insectos emudeciam
enquanto o outono regurgitava as suas vítimas.
E tu, tu? E tu fazias abolir
o sentido para fazer eclodir de novo
o novo sentido. E tu procuravas entre despojos
um aro de bicicleta partido,
um casaco com bolsos que dessem para o improvável,
um qualquer outro achado preso à cega geometria
e à circunstância do procurar.




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