
(POESIA,LITERATURA e a CULTURA em geral)»»»»»»»»»»»»»»»» "Só existe o tempo único. Só existe o Deus único. Só existe a promessa única, e da sua chama e das margens da página todos se incendeiam. Só existe a página única, o resto fica, em cinzas. Só existem o continente único, o mar único – entrando pelas fendas, batendo, rebentando correndo de lado a lado". __________ Robert Duncan
quarta-feira, 28 de abril de 2010
BIENAL da SAUDADE

segunda-feira, 19 de abril de 2010
POEMA PLURAL - SILVES
7.
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Acocorado como estava o escriba,
só não escrevendo, mas escravo sou
da matéria animal que do distante campo
veio curtida com ecos de verdura
e de tão lenta, infinda paciência.
Como ele cumpro destino de invenção,
de leve e não sabida descoberta
do mundo incompleto.
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Mundo incompleto, e certo,
esse que preenche a minha cave
e lhe rasga as paredes.
.......................Pedro Tamen
(In, O livro do sapateiro, 2010)
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A Profissão Dominante
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Meu Deus como eu sou paraliterário
à quinta-feira véspera do jornal
nadando em papel como num aquário
ejectando a minha bolha pontual
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de prosa tirada do receituário
onde aprendi o cozido nacional
do boçal fingido o lapidário
- fora algum deslize gramatical -
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receio que me chamem extraordinário
quando esta é uma prática trivial
roçando mesmo o parasitário
meu Deus dá-me a tua ajuda semanal
........................Fernando Assis Pacheco
(In, A Profissão Dominante, 1982)
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http://bienaldepoesiadesilves.blogspot.com/
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O EIXO do DESLUMBRAMENTO
1.
A mulher caminha pelas urzes, no auge
do vento, já depois da morte, enovelada
pelos ramos que cortam a paisagem.
O homem está parado como uma ave
de pedra, batida pelo fumo. Depois, é o
corpo dela desfeito sobre os rochedos,
uma faísca que incendeia um pedaço
de madeira. O homem, amarrado a um
amancha de ferro, contempla o corpo vazio.
Um pássaro cego cai em cima de um espelho.
É o rosto dele despedaçado, a dor.
Tudo é medonho à sua volta, a parte
de trás da luz, a humidade, a respiração
das plantas.
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13.
Toda aquela assombração está gravada
na tinta como se pertencesse a um livro
queimado, roído pelo sol. O homem sabe
que se trata de uma morta, mas não
entende que é a cicatriz do seu peito que
lhe ocupa o sono e o cativa para um ritual
demoníaco. Conhece os seus cabelos, os
lábios a descerem pelas amoras, pela cera.
E toda a sua pele sobressai, pintada na
parede, nos pregos, nas mãos que descansam
em cima de uma toalha. Um navio incendeia-se
contra um recife. É ela ou os seus vestidos a
desaparecerem no horizonte, no fim de tudo.
........................................................Jaime Rocha
Pedro Abrunhosa - Fazer o que ainda nao foi feito
http://www.artistasunidos.pt/jaime_rocha.htm
http://pedroteixeiraneves.wordpress.com/2010/03/31/apostas-propostas-jaime-rocha-necrophilia/
http://contramundumcritica.blogspot.com/2010/04/jaime-rocha-necrophilia.html
sábado, 10 de abril de 2010
IV BIENAL de POESIA de SILVES
Workshops, mesas redondas, apresentação de livros, concertos e espectáculos animarão estes quatro dias, totalmente dedicados à poesia. Haverá ainda uma homenagem ao escritor Pedro Tamen, que terá lugar no dia 24, pelas 18h30. Nessa ocasião, Maria do Sameiro Barroso fará uma conferência e serão lidos poemas por Paulo Moreira. Também Fernando Assis Pacheco será alvo de uma atenção especial, recordando-se os 15 anos da sua morte, às 15h30 do dia 23."
segunda-feira, 5 de abril de 2010
PURGAÇÃO DIONISÍACA II
1.
Os poemas virão inclusos
quando vier o orvalho,
chegarão antes do pecado.
2.
O seu domínio é infinito,
longa é a garganta do medo
cego o coração do sussurro!
3.
Uma boca deixo, ao dilúvio:
direi um segredo de bronze,
a nocturna borboleta chega.
4.
No princípio era a doçura
e a palavra ousou a lascívia.
Por esta se fará todo o flagício.
5.
É o solstício sob as unhas.
A água separa-nos da sede,
não é só o que a boca refresca.
6.
Quando saboreei a carne
e Vénus vagueiam acesas.
7.
Em sua volúvel gestação
que seria do útero vazio
sem a caligrafia pestilenta?
quinta-feira, 1 de abril de 2010
PRÉMIOS
..............O dia em que nasci
..............meu pai cantava…
............Fernando Assis Pacheco
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Este é o país, o país é este
este é o país e esmorece.
Este é o país dos cravos.
Este é o país dos resignados,
este é o país e esmorece.
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Este é o país dos prostrados.
Este é o país dos alheados,
este é o país e esmorece.
Este é o país dos vencidos.
Este é o país dos distraídos,
Este é o país e esmorece.
Este é o país dos domados.
Este é o país dos apartados,
este é o país e esmorece.
.
Este é o país, o país é este
este é o país e esmorece.
Este é o país dos trovadores.
Este é o país dos navegadores,
este é o país e esmorece.
Este é o país dos poetas.
este é o país dos astecas,
este é o país e esmorece.
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Este é um país vicentino.
Este é o país dos infantes,
este é o país e devaneiam.
Este é o país dos meninos,
este é o país e acreditam…
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Este é o país, o país é este!
.........................Hélder Brandão Faria