segunda-feira, 5 de abril de 2010

PURGAÇÃO DIONISÍACA II

Esquilino

1.

Os poemas virão inclusos
quando vier o orvalho,
chegarão antes do pecado.

2.

O seu domínio é infinito,
longa é a garganta do medo
cego o coração do sussurro!

3.

Uma boca deixo, ao dilúvio:
direi um segredo de bronze,
a nocturna borboleta chega.

4.

No princípio era a doçura
e a palavra ousou a lascívia.
Por esta se fará todo o flagício.

5.

É o solstício sob as unhas.
A água separa-nos da sede,
não é só o que a boca refresca.

6.

Quando saboreei a carne
ia saborear a terra – aves
e Vénus vagueiam acesas.

7.

Em sua volúvel gestação
que seria do útero vazio
sem a caligrafia pestilenta?
...........................João Rasteiro

1 comentário:

gabriela r martins disse...

passo ,num intervalo ,a fim de te deixar



.
um beijo