domingo, 12 de setembro de 2010

LUGAR(ES)

"Esquilino"

I


Os poemas virão inclusos
quando vier o orvalho,
chegarão antes do pecado.

II


O seu domínio é infinito,
longa é a garganta do medo
cego o coração do sussurro!

III

Uma boca deixo, ao dilúvio:
direi um segredo de bronze,
a nocturna borboleta chega.

IV

No princípio era a doçura
e a palavra ousou a lascívia.
Por esta se fará todo o flagício.

V

É o solstício sob as unhas.
A água separa-nos da sede,
não é só o que a boca refresca.

VI

Quando saboreei a carne
ia saborear a terra – aves
e Vénus vagueiam acesas.

VII

Em sua volúvel gestação
que seria do útero vazio
sem a caligrafia pestilenta?
........................João Rasteiro
In, A Divina Pestilência
.
P:S: Agora uma música de alguém que nos últimos tempos... é até riscar o CD!!!
LENINE - O Atirador

4 comentários:

gabriela r martins disse...

quero
exijo
demando

muito MAIS

e retiro.me em silêncio
( estás a ver.me ,não estás? )



.
um beijo

alice disse...

um poema de grande beleza, joão. gostei especialmente da borboleta nocturna. um grande beijinho.

Anónimo disse...

Muioto sucesso!

André Luis disse...

Desejo muuita sorte.