quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A terra das ameixas verdes

Este ano o Prémio Nobel da literatura foi atribuido à escritora alemã de origem romena Herta Müller (n. 1953). Müller nasceu em Nitchidorf, na Roménia, tendo começado a publicar em 1982. Em 1987 foi viver para a Alemanha, onde se consagrou como escritora: vinte e dois títulos, sendo o mais recente "Atemschaukel" (2009). Proibida de publicar na Roménia por ter criticado publicamente o regime de Ceausescu, a escritora emigrou em 1987 para a Alemanha com o marido, o poeta Richard Wagner. Desde que, em 1984 foi distinguida com o Prémio Aspekte, Herta Müller tem acumulado galardões em verdadeira catadupa, sobretudo na Alemanha. Em 1995, recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004. Em 2006, o Prémio Würth de literatura europeia. Em Portugal estão publicados "O homem é um grande faisão sobre a terra" (1993, Cotovia) e "A terra das ameixas verdes" (1999, Difel). Além de romancista, Müller é poetisa e ensaísta. A sua obra está associada ao conceito de Weltliteratur. Um poema seu que nos situa e defíne sobre a terra, sobre esta terra de ameixas verdes:

A coisa mais estúpida é

A coisa mais estúpida é que, desde há várias horas, a erva corre à volta do meu novo vestido, e eu encontro-me sentada no banco de betão, uma das cinco, à espera, em frente do salão de cabeleireiro. A primeira é tola, a segunda tem olhos grandes, a terceira é manhosa, a quarta e a quinta sou eu, pois por baixo de mim há uma poça de água na qual eu me vejo, e tenho de fazer caretas porque senão uma das duas, que eu sou, pode não ser capaz de distinguir entre a boina de pêlo na cabeça da outra e o pássaro que se encontra morto na poça da água.
.....................................................Tradução: Luís Costa

5 comentários:

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

È ao contrário João, foi atribuido o Prémio Nobel à escritora romena de origem alemã. Herta Muller é suábia.
Li os dois livros dela , quando sairam , e »a terra das ameixas verdes» tinha -o relido no fim -de-semana anterior ao anúncio do Prémio. Premonições. È um livro autobiográfico , percebi , e vi confirmado na net .
Agora jamais encontraremos os seus livros a um euro ou a ser saldados na feira do livro como vi em Lisboa !
E faltam traduzir dezoito.
espero que os possamos ver nos escaparates muito brevemente !
Os que foram traduzidos não se sabe deles ? Já os viste nalguma livraria ?
Mistério ?
abraço
__________ JRMARTo( zé )

J. R. disse...

Seja bem aparecido meu bom e grande amigo. Claro que ela nasceu a 17 de Agosto de 1953 na cidade romena Nitzkydorf, na região de Banat, vivendo actualmente em Berlim.
Como foi referido pelo JN, "o pai prestou serviço nas Waffen SS, a tropa de elite chefiada por Himmler na II Guerra Mundial.
Muitos romeno-alemães foram deportados para a então União Soviética em 1945, incluindo a mãe de Herta que passou cinco anos num campo de trabalho na actual Ucrânia. De 1973 a 1976, estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara, na Roménia, fez parte do Aktionsgrupp Banat, um círculo de jovens germanófonos de oposição ao regime de Ceausescu que defendiam a liberdade de expressão".
Actualmente, depois de ser obrigada a abandonar o país em 1987(a Roménia) com o marido, o poeta Richard Wagner, também ele romeno-alemão, por ter sido proibida de publicar no seu país, ela própria afirma, ser hoje, uma escritora alemã que escreve essencialmente sobre (não esquecer mais uma vez o facto de ela ser membro de uma família de minoria alemã na Romênia)"a paisagem dos despossuídos" durante o brutal regime comunista pós-Segunda Guerra Mundial na Romênia.
Um grande abraço Zé,

joão rasteiro

gabriela rocha martins disse...

não conheço nada da galardoada ,a não ser ,obviamente ,o que actualmente se vomita em catadupa sobre ela ,mas tenho uma imensa curiosidade e ( não sei se será premonição ) acho que vou acabar por devorar a obra desta senhora .cheira.me!!!!!!!


.
um beijo

Luís Costa disse...

Estimado poeta,

só para agradecer a amabilidade que teve em inserir a minha tradução no seu blogue.

Foi pena que o galardoado do Prémio Nobel 2009 não tenha sido um poeta , ou poeta /ensaísta
como o meu querido Tomas Tranströmer, ou Ko Un, ou Adonis, ou o António Ramos Rosa ( que sem dúvida o merece ) ou o Yves Bonnefoy, ou ainda o Herberto Helder, claro. A verdade é que o último poeta a receber este prémio foi a poeta Wislawa Szymborska, isto em 1996.

Acho que está na altura de um poeta ser de novo galardoado.

Mas o júri de Estocolmo é que decide e a Herta merece-o, sem dúvida. E, embora sendo, sobretudo romancista, também escreve excelente poesia num estilo muito peculiar.

Com uma abraço poético:

Luís

Tiago M. Franco disse...

Gostei bastante da Terra das Ameixas Verdes, é um livro que retrata uma dura realidade.