domingo, 17 de outubro de 2010

"A Imobilidade Fulminante"

António Ramos Rosa, (17 de Outubro de 1924). Poeta, tradutor e ensaísta, é hoje, dia em que faz 86 anos, um dos grandes nomes da poesia contemporânea portuguesa. É sem dúvida, "um dos mais fecundos poetas portugueses da contemporaneidade, a sua produção reflecte uma evolução do subjectivismo, em relação à objectividade. Reflectem-se nela variadas tendências, desde certas formas experimentais até a um neobarroquismo. A sua escrita, caracterizada por uma grande originalidade e riqueza de imagens tácteis e visuais, testemunha muitas vezes uma fusão com a natureza, uma busca de unidade universal em que o humano participa e se integra no mundo, estabelecendo uma linha de continuidade entre si e os objectos materiais, numa afirmação de vida e sensualidade" - (astormentas).  Recebeu numerosos prémios nacionais e internacionais, entre os quais o Prémio Pessoa, 1988 ou em tradução, o Prémio Jean Malrieu. Para ler alguns poemas seus: (http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/antonio_ramos_rosa/poetas_aramosrosa01.htm ).
Do meu livro de 2008, O Búzio de Istambul, o meu poema de homenagem a António Ramos Rosa:
Antes ramos e rosas
............................Ao A. Ramos Rosa

Ter um corpo de branco, um eco
todo silêncio: palavra!
Vozes, céu, terra, linho, o acto desnudo
fresco e fresco, fresco
e mãos acesas de sexos iniciais de imensos universos.
Um eco: uma língua
quase frémito, no coração dos hortos , completa e contínua.

Um corpo que morre no sabor entre as palavras
sobre o rosto incandescente do espanto: deus
nas talhas, no barro, no fresco, no sangue,
pai, filho, sílaba e espírito obscuro
de paragens, sopros, paisagens, círculos e hortos,
a terra branca, límpida nas veias: antes ramos e rosas.

O Corpo?
Um corpo de água?
O animal atónito, inabitado?
Um animal de branco, desejos no interior de constelações
sumptuosas, a terra aberta, silêncios: toda a terra, branca.

Não conheço esse corpo fresco, não fui a esse branco
espaço de todas as palavras, o hálito vivo da inquietação,
a respiração inaudível das formas nuas: antes ramos e rosas.
.........................................................João Rasteiro
Rodrigo Leão - ROSA


http://www.astormentas.com/ramosrosa.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Ramos_Rosa
http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/recen018.htm
http://www.astormentas.com/biografia.aspx?t=autor&id=Ant%C3%B3nio%20Ramos%20Rosa

6 comentários:

prahalad disse...

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bonecadetrapos disse...

rosas deixo, sem palavras,
num ramo em que m[en]leio,
folha ténue,
admiração ________ respeitosa vénia.

A palavra que se agita, além do tempo, no epicentro de nós, lugar provável da alma.

A si, João Rasteiro, a sempre e repetida, admiração. Generosa a sua atitude que tanto aprecio. Belo o seu poema, numa lírica tão sua, tão própria.

Maria, *___bonecadetrapos___*

João Rasteiro disse...

Obrigado mais uma vez, pelas palavras...e pela poesia. Na verdade, os trapos das bonecas encerram muitos segredos!.
Bjs.

joão rasteiro

Maria Ribeiro disse...

RODRIGO LEÃO...QUEM mais para dar sentido a todas as nossas dádivas, angústias... tormentos?
Ouve-se e a alma pára porque "SENTE"...
BEIJO
Mª ELISA

João Rasteiro disse...

Também gosto bastante do Rodrigo Leão e dos Madredeus, Maria. E não esquecer esse fabuloso disco/cd produzido pelo Rodrigo Leão, conjuntamente com Gabriel Gomes, Francisco Ribeiro e Margarida Araújo, maravilhoso ouvir por exemplo as vozes de Cesariny e Herberto a declamarem a sua poesia.
Bj.

joão rasteiro

www.anildo-motta.com disse...

Olá João. Parabéns pelo blog! Você deve verificar o que se passa com o link para votação do livro, é que não está funcionando. Boa sorte! AULAS GRÁTIS DESENHO E PINTURA DE RETRATOS