quarta-feira, 18 de junho de 2008

ESPAÇOS

Delimitação da lágrima

Cada morte tem um corpo flor dentro da boca
das primaveras que pulsam o movimento do voo
e em toda a sua dilatação uma garganta alagada
com outra morte no centro do coração centrípeto
porque a vida ascende o seu útero entre espaços
que ferem os tímpanos dos desmemoriados lírios
e dos lábios aguçados como o fruto nu e mastiga-o,


a morte conquistadora tem um potencial infinito
de criação e ébrios desabrochamentos de pomares
quando a pulsação súbita sob os alcantis da lágrima
se esmaga sobre todos os fluidos onde urde o amor
e os dentes ainda são a majestosa nudez dos líquidos
a sede do gole ajustada no sexo dilatado dos corpos,


quando aqui amares sabereis o paladar do relâmpago
aprendereis a cintilação do sangue eriçado às golfadas
abrindo-se casulo que se permite vida pelo sopro único.


As restantes epístolas oblíquas são as crias do coração.
João Rasteiro
.
CÁLICE - Chico Buarque & Milton Nascimento

2 comentários:

gabriela rocha martins disse...

simples mente

ÚNICO

leio
re . leio

e ao fazê.lo
sinto.me um tudo nada igual ao poema

[ torno.me vulnerável à palavra ]


.
um beijo

Anónimo disse...

muito lindo
torno-me invulnerável à palavra
bonito, inédito