domingo, 17 de fevereiro de 2008

Poéticas da língua portuguesa

Wilmar Silva é hoje uma das vozes contemporâneas mais criativas da literatura mineira e brasileira.
Conheci pessoalmente o Wilmar Silva, no dia 09/02/2008, em Coimbra, uma vez que conjuntamente com o poeta Jorge Melícias, participámos nessa tarde em filmagens efectuadas pelo Wilmar, para o projecto "MINAS ENTRE OS POVOS DA MESMA LÍNGUA, ANTROPOLOGIA DE UMA POÉTICA", de autoria do próprio Wilmar Silva.
Trata-se de um projecto de pesquisa em processo de realização nos países que têm a língua portuguesa como idioma de origem oficial, aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, patrocinado pela Usiminas e pelo Consulado de Portugal em Belo Horizonte, entre outros.
Deste projecto/pesquisa resultará a publicação de um livro/antologia, com uma selecção de poemas, biografias e um CD Rom dos autores publicados, além de um ensaio poético híbrido, escrito pelo poeta Wilmar Silva. Esta antologia será lançada e distribuída em todos os países de língua portuguesa.
Wilmar Silva é poeta, actor e performer. Vive actualmente em Belo Horizonte. Publicou diversos livros de poesia e obteve vários prémios, nomeadamente o prémio "Jorge Lima de poesia" da União Brasileira de escritores. Integra a "Antologia da nova poesia brasileira"(Org. Olga Savary) e possui vários poemas publicados em revistas brasileiras, portuguesas, francesas e italianas. Em 2005 organizou a antologia "O achamento de Portugal".
É o curador do projecto "Terças Poéticas", que para além de trazer nomes conhecidos da poesia brasileira, dá também bastante destaque a autores não tão conhecidos do interior de Minas Gerais e de outros estados brasileiros.
Como afirma o ensaísta e poeta Márcio Almeida, "Wilmar Silva está inteirado de que pós-moderno é o que tem raiz e de que essa é a conditio da fragmentação epistêmico-poética a exigir do autor, hoje, a neuedichte – nova densidade na produção do estranhamento. É aí que o poeta esperneia para (se) dizer, donde justificar-se, na produção contemporânea, a pluralidade de diretrizes norteadoras de escolhas também múltiplas".
Pintura de Malangatana

cólera
sem dúvida essa fadiga que entardece
é mais forte do que o vento
o vento que não é da família dos chacais
e me procura com uma lente invisível
.
o vento que racha as paredes
e atravessa a pintura
.
o vento que atravessa a pintura
e diz que os decibéis
das flores que lhe oferto
estão em anomalia

TURVAÇÃO


o homem sórdido não é feito
de palha e milho — colchões de catre sim
são de palha capim e paina
madeira desenhada a nós

mas o homem sórdido é sorumbático
até o fundo vertiginoso da alma
não toma banho
apenas as mãos os olhos os pés
lava antes do sono

o homem sórdido espantou avoantes
dormiu no pomar e ficou silvestre
e não coloriu as íris de arco-
íris
.
atlas
nem one nem um nem eins nas mãos
nem two nem dois nem zwei nos pés
nem three nem três nem drei nos pés
nem four nem quatro nem vier nos pés
nem five nem cinco nem fünf nos pés
nem six nem seis nem sechs nos pés
nem seven nem sete nem sieben nos pés
nem eight nem oito nem acht nos pés
nem nine nem nove nem neun nos pés
nem ten nem dez nem zehn nos pés
cem eleven cem onze cem elf mil mãos cem mil pés
Wilmar Silva

http://www.germinaliteratura.com.br/wilmar_silva.htm
http://virtualbooks.terra.com.br/entrevistas/wilmar/wilmar1.htm

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=d67d8ab4f4c10bf22aa353e27879133c&subsec=&id=78780a423398d58cab08dedde945b9df

25 comentários:

jorge vicente disse...

um autor a descobrir

um abraço
jorge vicente

Rasteiro disse...

Um abraço Jorge. Na verdade, o Wilmar merece ser "descoberto" pela "poética" de Portugal.
Aparece mais vezes por aqui.

Macirlene disse...

Wilmar Silva é um artista total, em tudo que ele faz. Ele é um injustiçado no Brasil, precisa ser lido por todos que amam a poesia.

Anónimo disse...

Essa dos poetas brasileiros injustiçados, chega.

Anónimo disse...

Incrível a afirmativa de um anônimo sobre os poetas brasileiros injustiçados. Se é um brasileiro quem escreveu, se leu, leu mal a poesia brasileira contemporânea. Se é um português, não conhece a poesia contemporânea brasileira.

Anónimo disse...

O que soube é que esse gajo Wilmar Silva é de facto conhecido e admirado no Brasil.

Anónimo disse...

discussão estéril. o que é preciso é poesia...de preferência boa poesia!

C.M.S.

Anónimo disse...

Que, afinal, não será o caso!Sou anônima como os injustiçados tambem o são.

Anónimo disse...

Wilmar Silva é poeta e dos melhores de sua geração. E não é anónimo, quiçá injustiçado

Anónimo disse...

isto está lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
C.M.S.

Anónimo disse...

A falta de qualidade é uma injustiça para o leitor.

alice disse...

a falta de qualidade do último anónimo é uma injustiça para o blogue.

um beijo grande, joão *

Anónimo disse...

leitor,blogue,lei, blo
tor, tor,tor, gue, tor, guetor
lei, lei, lei,leiblo,leiblo
toi, lei,lei, tor
or
r
dor
blo
odor
dor dó
dó,dó,dó

Rasteiro disse...

Um poema bastante interessante.

Anónimo disse...

rasteiro,
wilmar silva deve ser um animista. o que ele provocou no centro do arco � uma coisa. quero um livro dele.

Anónimo disse...

Wilmar Silva está inteirado de que pós-moderno é o que tem raiz e de que essa é a conditio da fragmentação epistêmico-poética a exigir do autor, hoje, a neuedichte – nova densidade na produção do estranhamento. É aí que o poeta esperneia para (se) dizer, donde justificar-se, na produção contemporânea, a pluralidade de diretrizes norteadoras de escolhas também múltiplas".
tretas, mais tretas

pósmodErno, o p



moderno, p
ps, p
os, pó,pó, pqp,pqp
PQP
p...Q..p..
pU--QU--PA

esta de promover assim o livro...

Anónimo disse...

Atchimmmmm Ai, ai a pureza e o justicialismo do promotor deste blog.
E o livro é com autógrafo?

Anónimo disse...

Poemas posmodernos

Acerca de mim
João Rasteiro
(Coimbra - Portugal, 1965).


Poeta e ensaísta. Efectuou estudos superiores
no âmbito
das Literatura
Modernas
na Universidade de Coimbra. É sócio da Associação Portuguesa de Escritores, membro do Conselho Editorial da Revista Oficina de Poesia e do Conselho Editorial da revista brasileira Confraria do Vento(Edição impressa). Tem poemas publicados em várias Revistas e Antologias em Portugal, Brasil, Colômbia, Itália e Espanha e possui poemas traduzidos para o Espanhol, Italiano, Inglês e Finlandês. Publicou os livros de poesia, A Respiração das Vértebras (Sagesse, 2001), No Centro do Arco (Palimage, 2003) e Os Cílios Maternos (Palimage, 2005). Está para ser editado o livro "O Búzio de Istambul" (Palimage). Obteve vários prémios, nomeadamente a Segnalazione di Merito no Concurso Internacionale de Poesia: Publio Virgilio Marone(Itália-2003) e o 1º prémio no Concurso de Poesia e Conto: Cinco Povos Cinco Nações, 2004. Em 2005 integrou a antologia: “Cânticos da Fronteira/Cánticos de la Frontera (Trilce Ediciones – Salamanca). Em 2007 foi um dos poetas participantes nos VI Encontros Internacionais de Poetas de Coimbra, F.L.U.C. - Universidade de Coimbra.


coimbra, Coimbra,Coimbra,Coimbra,CoCoCo, imbra,imbra,
bra,bra,bra
BRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR

Anónimo disse...

Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny
Leia com atenção poética

Anónimo disse...

Uf!,Uf!,Uf! - acalmou!!!!!!!!!!

Anónimo disse...

BRRRRRRRRRRRUMMMMMMMMMMMMMM!PUM.PUM,PUM.
O justiceiro

Anónimo disse...

Rasteiro, li pela internet alguns poemas do Wilmar Silva. Li e voltei a ler e fiquei surpresa com a poesia dele, altas voltagens. É. A poesia não morreu. Se alguém tem dúvida basta ler W. Silva.

Rasteiro disse...

É sem dúvida um excelente poeta...a descobrir com alguma urgência!!!

Anónimo disse...

Não me identifarei, inclusive, porque sou amigo do poeta Wilmar Silva. Acompanho a carreira dele desde o final dos anos 80. E o que se vê é uma pessoa obstinada, apaixonada pelo que faz. Em Minas agora ele parece ser muito admirado, mas viveu muito tempo sem ser notado. E ele conseguiu uma coisa rara com as Terças Poéticas. Queria registrar que ele tem um livro, o "Arranjos de Pássaros e Flores", que é um dos mais belos livros de poesia que li na vida.

Anónimo disse...

Génio ele não é, mas nunca li nada igual.