sábado, 8 de março de 2008

Dia Internacional da Mulher

PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO
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Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.
Em homenagem a todas as mulheres, principalmente à da fotografia, uma ligação ao youTube, com a extraordinária canção de Chico César: "Mulher eu sei".
Pablo Picasso - A mulher e o livro

"Mas, não "parece" possível - não sei como ainda consegues
escrever - diz uma mulher que irrompe súbita e
desestruturante como surgem as mulheres oráculos, peixes
vermelhos, talvez negros. A mulher de boca vermelha diante
dos punhos de um homem impaciente pelos astros. O homem
espantado com a sua própria ignorância - habituado a dizer
rudemente, contra a neve, eu quero; os seus punhos
descreviam círculos no ar e a mulher afiava punhais de amor,
enquanto se aproximavam de uma encruzilhada; a partir daí,
que os dados sinuosos decidissem sobre o futuro sorriso das
aves, das crianças, os dados que desde as antigas assembleias
dos bosques foram lançados contra a erva fofa e verde da carne
- e a mulher não entendia como era possível que ele
continuasse a escrever com a tempestade. Porque se fizera
silêncio, silêncio grave como num balanço da vida. E a violência
dos seus corpos era grandiosa e danificadora. Subterráqueos,
diziam que se amavam, em segredo. Mas as pequenas vilas não
perdoavam: o homem devia ser crucificado nas falas quotidianas
das tabacarias. Na última noite ficaram sentados, virados para
ocidente, num silêncio de meses, como se estivessem de novo
sentados, calados, com saladas e um copo de vinho".
Herberto Helder
.
Mulheres
Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo em que acreditam.
Elas levantam-se contra a injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poderem tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando as suas crianças adoecem
e alegram-se quando as suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversário ou um novo casamento.
Pablo Neruda
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FRUTO
Camélia branca
este tiroteio de silêncios
esta salva de arrepios
.
Este é o dia que ninguém te nega

.................
que acende a sílaba como um sol

.................que não fenece(s)
..............................os olhos.

João Rasteiro
http://br.youtube.com/watch?v=peT6w9zxKjo


2 comentários:

alice disse...

este poema do herberto hélder é talvez o melhor para homenagear todas as mulheres, joão. adorei*

Maria João disse...

No "dia que ninguém te (me) nega", encontrei, neste espaço, uma belíssima homenagem à Mulher. Comovem-me estas Mulheres que "(...) cantam quando querem chorar (...), que se "levantam contra a injustiça (...), que andam sem novos sapatos para suas crianças poderem tê-los (...)".
E que jamais sejam esquecidas aquelas 130 operárias têxteis que, em Nova Iorque, perderam a vida por terem protestado contra salários miseráveis e más condições de trabalho! Muito já se fez, ao longo dos séculos pela emancipação da Mulher e igualdade dos seus direitos, mas muito está ainda por fazer.
Para a Mulher "da fotografia", deixo aqui, com muito carinho e admiração, o meu abraço.

Maria João Oliveira