quarta-feira, 1 de abril de 2009

LIBERDADE

A obra de Agostinho da Silva estará em debate na sexta-feira no colóquio "O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos após a sua morte" organizado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e em que participarão, entre outros, Adriano Moreira e António Braz Teixeira. Organizado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e pela Associação Agostinho da Silva, o colóquio tem agendadas diversas sessões ligadas aos estudos desenvolvidos pelo filósofo. Renato Epifânio, docente do Departamento de Filosofia da FLUL, parte da Direcção da Associação Agostinho da Silva e um dos organizadores do colóquio, reconheceu à Lusa a dificuldade em centrar o legado de Agostinho da Silva "num só campo". "Agostinho da Silva teve um pensamento complexo com múltiplas facetas", refere. Numa visão "mais pessoal", o docente descreve o "sentido de uma consciência lusófona" como o legado maior deixado pelos estudos de Agostinho da Silva, particularmente no que refere ao seu impacto enquanto "um dos mentores da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)". Agostinho da Silva, referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do século XX, nasceu no Porto em 1906, tendo vindo a falecer em Lisboa em 1994, aos 88 anos de idade. O colóquio decorre a partir das 10h00 no Anfiteatro I da FLUL e terá ao longo do dia participações de Adriano Moreira, António Braz Teixeira, Paulo Borges e Manuel Ferreira Patrício, entre outros. - (Público Online)

Agostinho da Silva (n.13/2/1906; m.3/04/1994), filósofo, poeta e ensaísta português, é tido por muitos como o nome mais importante da segunda metade do século XX em Portugal - a primeira metade foi mesmo de Fernando Pessoa. Como referiu Romana Valente Pinho, "a idéia agostiniana de um homem em busca de seu próprio sentido e do sentido dos outros – sejam transcendentes ou não-, um “eu” que só é pleno e completo na e pela relação com o outro e disto, da consciência do “eu” através do “outro” (...) Desta “dialética das consciências” conclui-se que não vale a pena separar-se dos outros, pois tal cisão é a quebra do próprio ser. Em outras palavras, não há dialética das consciências sem pluralidade. E como afirmou o próprio Agostinho da Silva, "Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas". Um homem e essencialmente uma obra que Portugal tem de redescobrir e não deixar esquecer nos bosques da mediocridade que cada vez mais alastra e nos penetra. De mestre Agostinho da Silva, um poema:

Algum dia

Algum dia um novo Papa

anunciará altivo

que Deus é raiz quadradade

um quantum negativo

*
e o Deus que tanto procuro

em que atingido me afundo

é aquele ser-não-ser

do que acontece no mundo

*
da matéria mais que densa

é que é divertido ser

ali se nada acontece

tudo pode acontecer.

NEY MATOGROSSO - Balada do louco

http://ebicuba.drealentejo.pt/ebicuba/jornal/jornal08/pagina-personalidades/agostinho_da_silva.htm

http://joseeduardolopes.tripod.com/id28.html

2 comentários:

gabriela rocha martins disse...

peregrinando

deixo
.
te


.
um beijo

Marta disse...

o tanto que eu gosto de Agostinho da Silva! Teria de bom agrado mais 40 anos, se soubesse que teria sido sua aluna!