Roxana Crisólogo (Peru), eu e o Zé Luis (Casino da Figueira da Foz).
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3.
Quem te disse adeus quando a manhã
se incendiou para o lado das searas?
Mar ao fundo, pobre horizonte de turista,
agora que a borrasca interdita
o polimento da alma nas escadarias do passado
— fica o hálito, um rumor de véspera,
que não chega para acender no coração
o clarão da culpa, pois onde o látego
é consorte e o desterrado sonha
uma pátria improvável, não chegam
dos deuses o juízo e o preceito.
Quem pode, caminha até ao largo
onde o mundo arde em penas virtuais.
Mas tu não precisas de razões
para saber que nenhum cromado
polimento ilude a tua salitrada vocação
para a queda, desígnio que ombreia
com o tremendo rasgão do vento
desacoitando os óxidos embutidos à nascença.
Mesmo se tudo é cinza e passagem,
a ti, negro lázaro, que para uma segunda
morte hás-de nascer, oferto estes frutos
do fraco engenho, mudável reflexo
da vã alegria, fogo que ardesse
do princípio ao fim do mundo.
.............................José Luís Tavares
In, Lisbon Blues, S. Paulo, 2008
Quem te disse adeus quando a manhã
se incendiou para o lado das searas?
Mar ao fundo, pobre horizonte de turista,
agora que a borrasca interdita
o polimento da alma nas escadarias do passado
— fica o hálito, um rumor de véspera,
que não chega para acender no coração
o clarão da culpa, pois onde o látego
é consorte e o desterrado sonha
uma pátria improvável, não chegam
dos deuses o juízo e o preceito.
Quem pode, caminha até ao largo
onde o mundo arde em penas virtuais.
Mas tu não precisas de razões
para saber que nenhum cromado
polimento ilude a tua salitrada vocação
para a queda, desígnio que ombreia
com o tremendo rasgão do vento
desacoitando os óxidos embutidos à nascença.
Mesmo se tudo é cinza e passagem,
a ti, negro lázaro, que para uma segunda
morte hás-de nascer, oferto estes frutos
do fraco engenho, mudável reflexo
da vã alegria, fogo que ardesse
do princípio ao fim do mundo.
.............................José Luís Tavares
In, Lisbon Blues, S. Paulo, 2008
6 comentários:
Não conhecia este caminho. E gostei de conhecer! Obrigada.
Cesária. Sim. Sempre.
É que não há só "Vida em Mart(e)a".
Ficarei muito contente se Mart(e)a voltar aqui à terra, ao Centro do Arco.
Bjs.
João
Vou seguir o link. Gostei particularmente do que li.
Saudações, João, e parabéns pela atitude constante de divulgação no seu espaço dos demais.
Bonito de se ver.
*__bonecadetrapos___*
Ó boneca de trapos, daqueles que aqueçem o coração, é na verdade uma boa decisão seguir o rastro da poesia do Meu amigo José Luís tavares, verás que não te arrependes.
Quanto aos parabéns, eles são agradecidos, mas, não só refiro os meus amigos, mas essencialmente aqueles que merecem e que eu admiro. Já agora, "mea culpa" por não passar mais vezes pelo recanto da "boneca de trapos", porque há por lá muito brilho e o calor reconfortante da sílaba.
Beijinhos,
João
merecidíssimo reconhecimento
a um excelente poeta da língua mátrea
obrigada pela partilha
.
um beijo
a manhã incendiada é uma imagem sublime. já tinha lido este poema ontem no reader, onde acompanho o centro do arco, e gostei muito :) obrigada, joão. um beijinho.
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